“Vitória” do PCdoB nas eleições de 2016 é masturbação política

Em 2008 o PDT, partido do então governador Jackson Lago, elegeu 66 prefeitos. A euforia tomou conta das hostes governistas. O sarneísmo estava enfim liquidado e a nova era da política maranhense estava enfim consolidada. Cerca de seis meses depois, Jackson Lago foi cassado e o partido quase sumiu. Pouquíssimos membros do exército de prefeitos compareceram ao Palácio dos Leões para solidarizar-se com Jackson.

Passados 8 anos, a euforia é a mesma. Mesmo que numericamente menor, mesmo que acumulando fragorosas derrotas em grandes cidades, mesmo sabendo que o segundo maior partido de sua base não marchará com ele em 2018, Flávio Dino lança foguetes e comporta-se como uma espécie de vencedor inconteste no pleito de 2016.

Só que os números não mentem: a satisfação do governador não tem razão de existir. Ou ele tenta demonstrar uma força que não tem, ou está simplesmente enlouquecido.

Aos números:

Jackson elegeu 66 prefeitos pelo PDT, Flávio elegeu 46 prefeitos do PCdoB.

Jackson elegeu dois prefeitos de sua base entre as três maiores cidades do estado (de São Luís e Imperatriz), Flávio apenas um (São José de Ribamar).

Jackson elegeu prefeitos de cidades estratégicas como Caxias, Flávio perdeu na cidade.

Os números mostram que essa festança, esse coito sereno do governo não foi conseguido por um fato político concreto. No fundo o governador se deleita com uma espécie de masturbação política.

A realidade

Em março de 2009, poucos meses após a esplendorosa vitória nas eleições de 2008, Jackson Lago estava quase sozinho no Palácio dos Leões quando seu mandato foi cassado. Em 2010 o pedetista tentou voltar ao Palácio dos Leões. E a multidão de prefeitos que elegera em 2008? Ninguém sabe, ninguém viu.

A bem da verdade, basta comparar os governos de Jackson e Flávio, comparar as eleições de 2008 e 2016 para perceber que essa euforia toda com o “crescimento do PCdoB no estado” é coisa de debilóide.

Grande parte destes neo-comunistas cresceu na barra da sai da Família Sarney, caso do futuro prefeito de Barra do Corda, Eric.

Além disso, a ordem em Brasília já foi dada: o PSDB, partido que fez o segundo maior número de prefeitos no Maranhão neste ano, não irá com Flávio Dino em 2018.

“Com Flávio Dino nunca mais”, disse o presidente da legenda, Aécio Neves, a membros do PSDB maranhense em meados do ano.

No fundo é muito bom que o governador se ache por cima da carne seca e se regozije pelo comando de algo que não é seu. A grande maioria destes neo-comunistas não irão sequer lembrar do que significa PCdoB caso Flávio Dino patine nos próximos anos. Se não se reeleger, eles não irão sequer lembrar que um dia existiu Flávio Dino.

Enquanto Flávio Dino estoura champanhes por isso, seu governo ainda não disse a que veio. E assim suas taxas de rejeição começam a aumentar.

Como diz minha querida mãezinha ao ver alguém festejando o “infestejável”.

“Deixa ele”.