Remoção de vídeos leva MEC a acusar jornalista de produzir fake news

 

 

A remoção de vídeos do site do Instituto Nacional de Educação para Surdos (Ines), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), deram o que falar na última terça-feira (29). Os vídeos removidos abordavam especificamente a história de pensadores ou temas associados à esquerda como Karl Marx, Friedrich Engels, Marilena Chauí, Antonio Gramsci e Friedrich Nietzche.

A denúncia da remoção dos vídeos do INES partiu do site do colunista  Ancelmo Gois, de O Globo, que afirmou que os vídeos removidos do site constavam na plataforma pelo menos até o dia 2 de janeiro e saíram do ar dias depois da posse do atual presidente Jair Bolsonaro.

Em nota, o Diretor geral do Instituto Nacional de Educação para Surdos (Ines), Paulo André Martins de Bulhões, demonstrou surpresa ao ser informado sobre a remoção dos vídeos e afirmou que vai apurar os fatos: “aproveito para ressaltar que em nenhum momento nem o INES nem o MEC solicitou a retirada desses vídeos, tampouco fomos informados que os mesmos seriam retirados do ar. O INES e o MEC têm o dever constitucional de respeitar as diferenças e a liberdade de pensamento e expressão. Demandaremos à TV INES providências para que os vídeos voltem ao ar.”

Paulo Bulhões afirmou ainda o envio de um ofício à Direção da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (ACERP) para buscar esclarecimentos sobre os fatos.

Em nota, o Ministério da Educação considerou a matéria publicada por Ancelmo Gois como um “fake news”, afirmando que “a apuração preliminar já identificou, entretanto, que os vídeos foram retirados em abril e em novembro de 2018, o que demonstra que a nota publicada na coluna de Ancelmo Gois, no jornal O Globo do dia 29 de janeiro de 2019, é “tando” falsa quanto maldosa”.

Nas redes sociais

A nota divulgada pelo MEC sobre o caso da remoção dos vídeos teve grande repercussão nas redes sociais. A mensagem alcançou mais de 18.000 compartilhamentos, 20.000 reações, 12.000 comentários. A reação massiva à nota se deu pelos erros gramaticais e as referências à KGB (serviço secreto da ex-União Soviética), aplicada ao comportamento do colunista Ancelmo Gois.