Quem são os políticos por trás dos apelidos nas planilhas da Odebrecht

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Na sexta, dia 2, após mais de 9 meses de negociação, a Odebrecht assinou com o Ministério Público Federal os acordos de delação premiada. Ao todo, 77 executivos e ex-executivos da empreiteira formalizaram a colaboração. Na última sexta, 9, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho entregou ao MP um anexo de 82 páginas detalhando negociações com a cúpula do governo

Michel Temer

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Pra começar, o ex-executivo afirma no anexo que o presidente Michel Temer negociou no Jaburu com Marcelo Odebrecht  um repasse de R$ 10 milhões para campanhas do PMDB em 2014. Nas 43 citações em que aparece no relatório, na página 52, o delator afirma que ‘Inclusive, houve troca de e-mails nos quais Marcelo se referiu à ajuda definida no jantar, fazendo referência a Temer como ‘MT’.

ROMERO JUCÁ, O CAJU

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De acordo com Cláudio Melo Filho, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) recebeu R$ 22 milhões da Odebrecht. Na delação, o ex-executivo afirma que Jucá é o ‘Caju’, citado na planilha da propina, e que Jucá concentrava a arrecadação e distribuição dos recursos destinados ao partido.

ELISEU PADILHA, O PRIMO

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O documento também cita o papel do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que participou da negociação de R$ 4 milhões dos R$ 10 milhões pedidos por Temer. O ministro, citado como ‘preposto de Temer’, aparece na planilha com o codinome de ‘Primo’ e também é citado em negociação envolvendo o Aeroporto de Goiânia.

MOREIRA FRANCO, O ANGORÁ

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O Secretário de Programa de Parceria de Investimentos (PPI) é o ‘Angorá’, que o executivo afirma conhecer há muitos anos em razão de um ‘parentesco distante’. Moreira Franco é citado em demanda da Odebrecht para manter o modelo de concessões de aeroportos.

RODRIGO MAIA, O BOTAFOGO

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O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ganhou na planilha o apelido de ‘Botafogo’. Ele é citado em pagamento de R$ 7 milhões repassados para diversos políticos para facilitar a tramitação de uma Medida Provisória de interesse da Odebrecht.

RENAN CALHEIROS, O JUSTIÇA

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O presidente do Senado Renan Calheiros, que já teve uma semana cheia, depois de quase perder a presidência da casa e se envolver em disputa de poderes como Supremo Tribunal Federal, também aparece no relatório do delator. Com o apelido de ‘Justiça’, Renan seria um dos interlocutores da empresa no Senado e teria recebido para atuar na aprovação do projeto de resolução 72/2010 e nas MPs 579,613 e 627.

INALDO LEITÃO, O TODO FEIO

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O escárnio e a criatividade na criação dos apelidos também chama a atenção no documento apresentado pelo ex-executivo da Odebrecht. O ex-deputado federal Inaldo Leitão, por exemplo, é o Todo Feio.

PAES LANDIM, O DECRÉPITO

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A criatividade também foi usada para apelidar o deputado Paes Landim, do Piauí. Ele é o Decrépito. Entre as citações, Cláudio Melo Filho afirma: “Chegou a me procurar para que participássemos da construção do aeroporto em Parnaíba (Piauí), mas agradeci e disse a ele não era uma obra adequada para o tamanho de nossos projetos”.

GEDDEL VIEIRA LIMA, O BABEL

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O ex-senador Geddel Vieira é o Babel. Ele é citado em pagamentos realizados nos anos de 2006, 2008, 2010 e 2014. Recentemente envolvido em denúncia do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, Geddel sempre foi apontado como homem forte dentro do governo Temer.

LUCIO VIEIRA LIMA, O BITELO

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O deputado Lúcio Vieira Lima, irmão do ex-senador Geddel Vieira, é chamado de Bitelo, e é citado como participante de aprovação de Medida Provisória.

EUNICIO OLIVEIRA, O ÍNDIO

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O senador Eunício Oliveira ganhou o codinome Índio. Na delação prévia, ele é citado junto a pagamentos que totalizam quase R$ 2,1 milhões.

LÍDICE DA MATA, A FEIA

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Ex-prefeita de Salvador, a senadora Lídice da Mata é associada a valor de R$ 200 mil, juntamente com seu codinome, Feia.

HERÁCLITO FORTES, O BOCA MOLE

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O deputado Heráclito Fortes é citado, inclusive com o codinome de Boca Mole, por envolvimento desde quando era senador – ele deixou o cargo em 2011. “Tinha a expectativa de que em eventual necessidade, pudéssemos usar o seu apoio em demanda dentro do Senado Federal. Exemplo disso foi quando ele era Senador e que pedi a ele que acompanhasse as dificuldades que passávamos com a perda de um 71 funcionário nosso no Iraque, pois ele era membro da Comissão de Relações Exteriores”.