Que baita salada ideológica, hem Míriam?

Pelo que conheço de Míriam Leitão, dento de alguns anos, ao se relembrar deste caso que nesta semana sacudiu a República, dará boas risadas! Foi tudo engraçado, antes de ser trágico.

Tudo começou na segunda-feira, 15-07, quando um obscuro advogado de Jaraguá do Sul, Danilo Faggian, certamente em busca de seus 30 segundos de glória, postou nas redes sociais uma “petição” dirigida aos organizadores da 13ª. Feira do Livro exigindo o cancelamento da palestra da jornalista Míriam Leitão “de viés ideológico e posicionamento que a cidade repudia”.

A comédia começa no momento em que o advogado, cujo nome a ordeira e próspera Jaraguá do Sul ignora olimpicamente, no que faz muito bem, usa, para distribuir sua petição uma plataforma – o Avaaz – claramente de esquerda. Mais risos: como ele não mencionou em sua petição qual o “posicionamento da jornalista que sua cidade repudia”, se de direita ou de esquerda, o “repúdio” ficou aberto a ambas correntes ideológicas.

TUDO POR UM FIASCO

Nas redes sociais, a “petição” foi um fiasco, não chegou a obter nem mil assinaturas. Isto não impediu que os organizadores da Feira cancelassem a palestra da jornalista, alegando não ter condições de garantir a segurança de Míriam.

Coube ao presidente Bolsonaro alimentar a história com declarações fortes, de que a jornalista mentiu ao alegar ter sido torturada por sua participação na Guerrilha do Araguaia (?) e à Rede Globo, onde a jornalista trabalha, que, exaltada, apresentou uma nota de desagravo a Míriam Leitão com duração de quase cinco minutos em horário nobre…

CREIO QUE NÃO FAÇA

Míriam Leitão – conheço razoavelmente bem – não me parece ser daquele tipo de jornalista – uma praga nacional – que faz contrabando ideológico naquilo que escreve. Especializada em economia, é dona de um dos textos mais primorosos do jornalismo…

Nunca negou ter sido militante de esquerda, quando jovem, mas esteve filiada ao PC do B, partido que lançou e organizou a Guerrilha do Araguaia (em sua nota, a Globo omitiu essa informação). Recomenda-se a quem for pesquisar a sua biografia, na internet, entretanto, tomar cuidado – ela já foi alvo de hackers que contaminaram sua história com mentiras descabidas…

DESCONFIANÇA VAI SEMPRE EXISTIR

Pode-se imaginar que o presidente Jair Bolsonaro, com sua formação militar, vai olhar sempre para Míriam com justificada desconfiança…Ela foi, durante o Governo de Dilma Rousseff, uma defensora e coorganizadora da Comissão da Verdade, que reunia provas e testemunhos da tortura contra membros da ultra-esquerda…

Desde os primórdios da campanha que o elegeu presidente que Bolsonaro tem denunciado que a esquerda sempre foi capaz de usar também os atos mais abjetos contra seus inimigos, atos que vão da tortura à execução sumária e que foram acompanhados no Brasil de atentados terroristas, responsáveis pela morte de muitas pessoas inocentes.

Se dependesse dele, é provável que criaria uma outra comissão da verdade, exclusive para apurar as ignomínias da esquerda !

Não deixaria de ser uma boa contribuição à História!

por Dirceu Pio