Professores vivenciam a Tirania do Construtivismo em sala de aula

Durante quase toda a minha vida acadêmica na licenciatura eu tive a oportunidade de participar de eventos pregavam a diminuição do professor em sala de aula. Era o tal construtivismo. UM teoria que, grosso modo, visava sobrepor a visão tradicional de educação. Nela a figura do “mestre” daria lugar a um novo “coleguinha” na sala de aula. O professor não poderia se portar como ente de autoridade em sala de aula e muito menos como detentor do conhecimento. O resultado, em minha opinião, é desastroso.

O caso da professora espancada em uma sala de aula em Santa Catarina nada mais é que mais um caso de professora espancada e humilhada nas salas de aulas do país.

Márcia Friggi foi espancada após pedir ao aluno que colocasse um livro em cima da mesa. Segundo relatos da própria professora, o aluno se recusou a seguir a autoridade da professora. Ela retrucou, ele a xingou. A professora então pediu ao garoto que saísse da sala de aula e na direção da escola o rapaz a agrediu após acusá-la de estar mentindo.

  1. – O agressor não reconheceu a autoridade da professora em manter uma postura adequada na sala.
  2. – O agressor se sente no direito de formular a sua própria realidade à revelia dos fatos.

Eis aí levada às últimas consequências a mistura que explosiva do tal construtivismo: falta de autoridade do professor e construção da realidade pelo aluno.

O que aconteceu em Santa Catarina é um sintoma da pior doença que atinge a educação no país: a negação de qualquer símbolo de autoridade que norteie e discipline os jovens.

Professores hoje são vistos, como queria Paulo Freire, como meros “parceiros” dos alunos. A família, que deveria ser a base, perdeu o status de norteadora na educação dos jovens. Hoje a nossa educação deriva única e exclusivamente da vontade de cada aluno.

A educação que antes era baseada em um direcionamento imposto pelo ambiente externo, passou a ser fundamentada em descobertas ditadas pelo íntimo do aluno.

E não adianta chorar ou dizer que estou “reduzindo ao absurdo” a tese. Porque todos que leram o mínimo sobre o assunto sabem da pedra fundamental do método Paulo Freire que é a “libertação do aluno” por meio da demolição da autoridade externa. Isso não é questão de opinião, é fato!

Se vocês não acreditam que a caça a professoras em sala de aula deriva disso, já são outros quinhentos. Eu defendo a tese de que a fragilidade da autoridade das professoras estão deixando-as vulneráveis a esse tipo de coisa. E querem ver como tenho razão?

Eu tenho cá minhas dúvidas se este rapaz que agrediu Márcia Friggi está com algum tipo de remorso. Por que isso?

Que tal você, jovem em idade escolar que agora lê esse texto? Você acredita que um professor tem autoridade o suficiente para lhe dizer como ler um livro? É claro que não! Você foi educado para ler da forma que quiser, como quiser e onde quiser. O ensino deve ser prazeroso antes de mais nada e se basear na sua “capacidade de descobrir a realidade e ter uma postura crítica em relação a ela”.

Quem uma velha pensa que é para lhe impor a leitura de um livro em postura ereta, sentado de forma adequada em uma carteira? Você tem o direito de ler como quiser, não é?

Senhoras e senhores, eis Paulo Freire levado às últimas consequências.

PS¹: Fiquei sabendo que a professora agredida por um aluno rebelde comemorou a agressão sofrida pelo deputado federal Jair Bolsonaro por uma aluna rebelde. Continuo lamentando a agressão sofrida por ela e lamento também o fato da vítima trabalhar pela construção de algozes. 

PS²: Causa estranheza que nenhuma entidade feminista tenha se atentado para uma realidade evidente. Professoras são as principais vítimas de alunos em sala de aula. Em toda a internet pipocam vídeos de agressões e humilhações de alunos sofridas por professoras. Qual a razão do silêncio?