Por que Bolsonaro tirou Flávio Dino do anonimato?

Bolsonaro escolheu Flávio Dino como adversário, essa é a verdade. A análise fria do episódio envolvendo os dois demonstra que o presidente não agiu de forma transloucada e muito menos irrefletida ao eleger o comunista Flávio Dino como adversário.

Os fatos são perceptíveis até ao mais inábil dos analistas e escancaram o que pode ter sido a primeira jogada política de Bolsonaro com vistas a 2022.

Não é novidade para quem acompanha Flávio Dino que desde novembro de 2018 o comunista provoca o presidente eleito de todas as formas possíveis. Qualquer que seja a declaração de Bolsonaro, lá estará Flávio Dino discordando e xingando.

Apesar do volume das provocações, o comunista sempre teve como resposta o desprezo. Gritasse o quanto gritasse Flávio Dino, Jair Bolsonaro não tomava conhecimento de sua existência. Ou, pelo menos, não demonstrava.

Acontece que na semana passada o jogo mudou e Jair Bolsonaro tirou Flávio Dino do anonimato político nacional e o alçou ao status de persona non grata de seu governo. É claro que ser declarado inimigo por Bolsonaro faz de qualquer um, até mesmo de Flávio Dino, ser incensado imediatamente pela esquerda.

A grande pergunta é: por que Bolsonaro rompeu o silêncio em relação a Flávio Dino e lhe garantiu os holofotes da opinião pública nacional?

Uma aparentemente coincidência antecedeu as ações do presidente. Poucas semanas atrás o Maranhão recebeu a visita de Léo Índio. Com ligações familiares ao clã Bolsonaro, Índio foi encarregado de preparar um dossiê sobre governos comunistas no Nordeste, entre eles o de Flávio Dino.

Aqui o assessor parlamentar ficou ciente de escândalos de corrupção, ingerência administrativa, perseguição política que o deixaram assombrado. O Flávio Dino boquirroto que canta sucessos administrativos e é enaltecido pela grande mídia não passava de uma mentira. Léo Índio também ficou sabendo que Flávio Dino não governa mais o Maranhão de fato. Hoje o grande nome da política estadual é o senador Weverton Rocha, do PDT. O governador tem o poder da caneta, mas o poder político é do senador. Weverton possui a simpatia de todos os grupos políticos do estado e a lealdade de uma grande maioria. Além, é claro, de ser proprietário de uma das duas legendas que podem abrigar uma provável candidatura de Flávio Dino em 2022. A saber, PDT e PSB.

Pouco tempo após os levantamentos de Léo Índio no Maranhão, Bolsonaro rompeu o silêncio e respondeu da forma mais barulhenta e chamativa possível ao comunista. Coincidência?

Mas nem só do fracasso do governo comunista pode estar se sustentando a estratégia de Bolsonaro. Ao escolher o maranhense, Bolsonaro cria um clima de desgaste na oposição nordestina. Afinal, existem líderes legítimos da esquerda como Ciro Gomes (PDT), além dos governadores da Bahia, Rui Costa (PT); de Alagoas, Renan Filho (MDB); e do Piauí, Wellington Dias (PT) com mais respaldo para ocupar o lugar de antagonista do presidente.

Todos líderes históricos e legítimos que em nada lembram a artificialidade que sustenta Flávio Dino, um político com cerca de 10 anos de carreira que já se arroga o direito de pular na frente de todo esse pessoal e disputar a presidência.

Flávio Dino é o adversário perfeito para Jair Bolsonaro em 2022. O presidente jogou a isca e muita gente, ao que tudo indica, mordeu.