Politização na música

Essa semana uma garota me disse que eu não tenho “cara de roqueiro”. No começo eu fiquei meio triste. “Putz, 25 anos ouvindo rock e agindo como roqueiro para, depois de velho, não parecer roqueiro”.

A situação desencadeou uma série de pensamentos.

Quando eu era jovem achava que forrozeiro, “axezeiro” e afins eram idiotas. Acreditava piamente na ideia de que pessoas que gostavam de rock eram mais politizadas e inteligentes.

Como eu estava errado.

A diferença entre esses jovens é gritante em relação a visão de mundo. Uns apenas curtem a vida e estão pouco se lixando para coisas que não entendem. Não entenda isso como uma generalização, por favor. O fato é que ser “politizado” aos 19 anos não é um ativo para quem curte Bruno ShInoda e Ivente Sangalo. O que nao significa que essas pessoas não tenham interesse. Elas têm, só que não fingem que esse interesse seja algo além do que é.

No rock ser “politizado” é um grande ativo. Mesmo que você não saiba absolutamente porra nenhuma de política. Mesmo que não seja capaz de fllalarbo nome de 10 vereadores ou 5 deputados, basta opinar sobre coisas subjetivas para fazer de você o fodão. O mais engraçado é que essas opiniões nada mais são do que repetições do que 95% dos outros roqueiros dizem.

O jovem roqueiro/underground/lacrador/alternativo, vertentes do rock, tem experiência e leitura mínima, mas se acha o máximo.

Também não devemos generalizar. É claro que não falo de todos. Se trata do fato de que essa categoria “politizada” é visível entre os alternativos e inexistente em outros locais.

Ocorre que forró, sertanejo e afins são imunes a uma das grandes pragas do rock/alternativo. O ativismo político bocó virou adereço publicitário.

Infelizmente rock/alternativo são os terrenos mais férteis para quem procura massa se manobra.