Pedofilia: Uma Romantização Doentia


Não é de hoje que tentam normalizar a pedofilia. Décadas atrás, mais precisamente em 1977 na França, Simone de Beauvoir, Sartre e outros filósofos assinavam uma petição que retirava a idade de consentimento sexual (na época era de 15 anos). O grupo ainda assinou uma petição que pedia a soltura de pedófilos condenados.

A história vem se repetindo. Em 2018 uma estudante de medicina chamada Mirjam Heine defendeu abertamente a pedofilia na Universidade de Würtzberg na Alemanha, o título da apresentação foi “Por que nossa percepção sobre a pedofilia tem que mudar.”

Durante o discurso, Heine afirmou que “a pedofilia é uma orientação sexual imutável, como a heterossexualidade e que ninguém escolhe ser pedófilo e não pode deixar de ser pedófilo. Garantiu ainda que a pedofilia seria uma espécie de orientação sexual.”

Sites e colunas de comportamento produzem conteúdos frequentes sobre a masturbação infantil, tratam como um “tabu a ser quebrado”.

A vulnerabilidade que a criança é exposta não é discutida, tão pouco o fato da idade inapropriada uma vez que não há prazer erótico no ato. Tornar algo comum, rotineiro e aceitável pode forçar o entendimento que o toque na região genital é saudável, sem considerar que isso pode ocorrer por via de pedófilos.

No Brasil uma tese de doutorado na USP com 322 páginas, faz uma defesa descabida da pedofilia. A defesa foi feita por um sociólogo. Um dos principais autores usado como fonte de argumentação é o filósofo Michel Foucault.

Veja detalhes:

Nessa semana seria votada o Projeto de Lei nº 3.369/2015 do Deputado Orlando Silva (PCdoB) chamada de O Estatuto das Famílias do Século XXI. Após manifestações nas redes sociais a votação não aconteceu.

O projeto em seu Artigo 2º institui que: São reconhecidas como famílias todas as formas de união entre duas ou mais pessoas que para este fim se constituam e que se baseiem no amor, na socioafetividade, independentemente de consanguinidade, gênero, orientação sexual, nacionalidade, credo ou raça, incluindo seus filhos ou pessoas que assim sejam consideradas.

Como não há coincidências: 

Outra proposta, a PL 226/2017, da Deputada Leci Brandão (também do PCdoB) foi aprovada e segue para sanção do Governador de São Paulo João Dória. O Deputado Douglas Garcia debateu a proposta:

Nosso país está no 11º do ranking mundial de abuso e exploração sexual infantil pela lista Out of the Shadows da revista britânica The Economist. 

Segundo o Boletim Epidemiológico que foi divulgado pelo Ministério da Saúde em 2018, no período entre 2011 e 2017 o Brasil teve um aumento de 83% de violência sexual contra crianças e adolescentes. Notificaram 184.5247 casos, sendo 58.037 contra crianças e 83.068 contra adolescentes. 51% das crianças violentadas têm entre 1 e 5 anos de idade.

Dado as informações e dados, vamos entender a partir daqui o que a ciência fala sobre a pedofilia. Com base na psicologia, dentro das visões das abordagens psicanalítica e analítica. Assim nos possibilitando fazer um comparativo do que vem sendo induzido por parte da mídia irresponsável sem compromisso com a ciência ou com o que é saudável e imparcial.

Buscando base na psicanálise, observamos que para Freud a sexualidade não designa apenas a atividade e

o prazer  uma vez que isso depende do funcionamento do aparelho genital, mas toda série de excitação de atividades presentes desde a infância que proporcionam um prazer irredutível. A satisfação é uma necessidade fundamental como respiração, fome e função de excreção; e que se encontra a título de componentes na chamada forma normal do amor sexual.

Freud afirma isso desde seus estudos em 1931, onde ele estuda a relação do objeto libidinal do ponto de vista do sujeito, comprovando que protótipos fisiológicos serão a base que a psique emergirá se transformando completamente. Sendo que na primeira etapa dessa base fisiológica, virão os primeiros impulsos de sobrevivência.

Em ordem:

1) A primeira etapa de base fisiológica:

A) são os primeiros impulsos de sobrevivência: pulsão oral, pulsão anal e pulsão genital;

B) a estruturação para psique que antecede a fala;

C) o parasitismo: momento em que a criança está completa com a mãe, ou seja, ela não tem distinção dela e da mãe, o que para ela é uma coisa só. Não há diferenciação.

D) não tem mecanismo de defesa.

2) A segunda etapa:

A) o simbolismo, o pensamento simbólico;

B) a psique: organismo com consciência, percepção e sensação;

C) simbiose, a criança começa a ter percepções dela e da mãe;

D) o rêverie (BION): conexão intrapsíquica entre mãe e filho, base para todo desenvolvimento e transferência.

Analisando como a psique irá emergir a esse conceito de libido e sexualidade, que foi denominado por Freud, notamos que essa construção se desenvolve primordialmente de acordo como o citado, sendo uma estrutura de sobrevivência e formação começando pela primeira relação objetal com a mãe e se desenvolvendo ao longo de toda a vida.

Na criança podemos observar o desenvolvimento em várias idades e suas várias etapas. Em toda literatura psicanalítica e psicológica, além da parte de Piaget – que também desenvolveu estudos científicos comprovando essas etapas e evoluções da criança.

Exemplo: quando uma criança chupa o dedo está fazendo a compensação em um movimento regressivo.

Constatamos que para libido chegar ao ponto da maturidade da pulsão orgástica de forma libidinal erótica, existe um caminho de maturação. Porém a hiper sexualização que vemos nos dias atuais e a estimulação a sexualidade sem critérios não respeita a estrutura em desenvolvimento físico e emocional. Na questão física esse despertar precoce pode acarretar traumas físicos e danos emocionais; isso precisa ser elucidado pelos pais, pela família e por profissionais, sem mistificações.

A sexualidade na adolescência é um primeiro chamado para a vida adulta e suas responsabilidades. Há diferença no processo do menino e da menina (que é mais intenso):

 A menina tem início com a menstruação que é algo que se torna exterior e simboliza o começo dos sinais físicos que vão se aprimorando junto com os sinais psicológicos para trazer as responsabilidades como a maternidade e higiene de contenção do fluxo.

 O menino tem essa maturação mais lenta e a sua percepção vem com o contato da sua sexualidade e ejaculação – o que torna isso mais concreto.

Por isso há importância dos pais, da família e dos profissionais orientarem de forma clara para preservar a saúde emocional para lidar com esse começo de processo de maturação do corpo da crianças, que emocionalmente está em desenvolvimento e que no decorrer do processo da vida adulta vai se tornando mais lúcido.

Freud nos estudos de conferência de psicanálise: 1915 – 1917 ele fala “Por que haveis de temair em já chamar, sexualidade essas manifestações da infância que sois os primeiros a considerar indetermináveis e a partir das quais o sexual vai mais tarde constituir-se? Por que não dizer simplesmente, contentando-vos apenas com a descrição fisiológica, que já no lactente são observadas atividades, como a sucção e a retenção dos excrementos que nos mostram que a criança visa o prazer de órgão (Organlust)?”

Uma citação equivocada contradiz o fundamento da base psicanalítica, citada acima e dita pelo próprio Freud, visto que o toque da criança nas partes genitais tem outro propósito. A criança não tem o prazer equivalente a adolescência avançada, entre os 15 – 16 anos, que fisicamente começa a estruturar o início do entendimento da sexualidade erótica.

Vejamos a citação:

Mas as mentalidades estão mudando. Hoje é sabido que a masturbação na infância é importante, já que equivale à auto-exploração do corpo. 

Concluímos que essa hiper-estimulação para uma sexualidade cada vez mais precoce tem gerado uma certa fantasia onde se imagina que uma criança de idades inferiores teria capacidade física, mental e emocional para lidar com a sexualidade erótica.

Alguns veículos de imprensa e alguns profissionais, tentam encarar e tornar a pedofilia algo aceitável. Porém, segundo Freud, isso se trata de um transtorno de perversão pedófila.

Freud afirma que, para a realização plena do ato sexual, é necessário que ocorra a superação das fases psicossexuais e se ocorre uma experiência desagradável ou traumática em uma dessas fases, pode haver o surgimento de uma fixação libidinal, ou seja, o sujeito fica preso em uma fase ou um objeto e apenas consegue chegar ao gozo através de uma finalidade exclusiva, ocorrendo consequentemente a perversão.

Essas fantasias, impulsos ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo, prejudicando o funcionamento social, ocupacional e de outras áreas importantes na vida do pedófilo. A pedofilia consiste na fixação em uma das fases do desenvolvimento psicossexual anterior à fase genital. (Libório 2004, citado por Landini, 2005)

O pedófilo apresenta uma sexualidade imatura e pouco desenvolvida, o que ocasiona medo diante uma relação adulta e o faz criar uma identificação com crianças, ele percebe a criança como parceira nos jogos sexuais e dessa forma mantém uma ilusão de potência diante à criança.

Ferenczi afirma que o adulto quando tem uma predisposição psicopatológica não consegue distinguir as brincadeiras, ele acredita que a criança é dotada de maturidade sexual e comete o abuso sexual sem pensar nas consequências. Os abusos podem acontecer tanto numa relação heterosexual como numa relação homossexual.

Como resultado do trauma causado, a criança age com medo e fica vulnerável às investidas do adulto, se submetendo de modo automático à vontade do agressor. Assim, esquece-se de si e identifica-se com o agressor; que deixa de existir na realidade externa e torna-se intrapsíquico.

Então percebemos, segundo Freud e os estudiosos da psicanálise citados acima, que os danos são grandes e dentro da fantasia do pedófilo e de pessoas que se identificam com esse tipo de prática, sempre há uma tendência a acreditar que não há um dano tão grande assim.

Portanto, devemos estar atentos às questões das etapas da infância e adolescência que devem ser preservados e respeitados no seu tempo de maturação física e psicológica.