PCdoB: defender a “democracia”, mas sem Lula livre


O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) anunciou a resolução política publicada pelo Comitê Central do partido reunido no último final de semana. De nome “Fortalecer e ampliar a oposição a Bolsonaro. Defesa da democracia é o eixo da unidade” o partido apresenta sua análise da situação política e assim revela os fundamentos de sua atual política diante desta etapa do golpe e do governo Jair Bolsonaro.

O próprio título da resolução deixa claro que para o PCdoB o que deve estar como centro da oposição ao governo é a “democracia”. Tal concepção esconde atrás de si a política da qual o PCdoB tem sido o principal entusiasta: a busca de uma frente ampla com setores golpistas.

Em determinado trecho da resolução está dito: “Maia e um elenco de parlamentares do centro, assim como figuras institucionais, partidárias e líderes da sociedade civil, repelem as práticas típicas de Estado de exceção da Lava Jato e da própria Presidência da República. Essa circunstância dá margem a convergências com a oposição na pauta de luta contra a criminalização da política e o desrespeito à liberdade e aos direitos.” Aqui fica claro que para o PCdoB o DEM de Rodrigo Maia pode fazer parte de uma frente de oposição, assim como setores do PSDB. Na realidade, embora não diga quais setores poderiam fazer parte dessa “frente democrática”, está claro que com excessão do próprio Bolsonaro, qualquer um seria passível de estar em tal frente.

Essa ideia é o centro da política do PCdoB e de toda a ala direita da esquerda pequeno-burguesa. Esse movimento no sentido da direita tradicional tem sido a principal preocupação de governadores do Nordeste do PT e de Flávio Dino (PCdoB), apontado pela resolução como grande exemplo do esforço em torno da frente ampla. Essa política tem sido defendida também por setores do Psol, como Marcelo Freixo.

É a “democracia que unifica”, segundo as palavras da resolução. E em oposição a esta ideia, está a já expressada por Freixo de que “lula livre não unifica”. O PCdoB parece concordar com o deputado do Psol. Em busca de sua aliança “democrática”, o nome do ex-presidente Lula, preso político há 500 dias, aparece uma única vez no documento e para elogiar os partidos da direita que estiveram no STF para pedir a não transferência de Lula para o presídio de Tremembé-SP. Ou seja, a luta pela liberdade de Lula não está sequer entre as preocupações secundárias do PCdoB, nem mesmo aparece na resolução o slogan “Lula livre”, usado por muitos setores da esquerda apenas da boca para fora, para não dizer que não falaram de Lula.

Resta a pergunta: qual seria a “democracia” que unifica enquanto Lula está preso? Em outras palavras, como falar em democracia se o preso político Luiz Inácio Lula da Silva é nesse momento o maior exemplo da extinção da democracia no Brasil? Está claro que para realizar a “frente ampla pela democracia” com Rodrigo Maia e o PSDB é preciso deixar Lula preso.

E logicamente, se a liberdade de Lula não unifica, tampouco a luta pela derrubada de Bolsonaro. Segundo o próprio PCdoB, embora Rodrigo Maia e cia sejam grandes democratas, eles estão juntinhos com Bolsonaro para aprovar os maiores ataques contra o povo. Isso é que é democracia!

E a solução do PCdoB, diante disso, são as eleições. Resta fazer oposição parlamentar, ou melhor, nas palavras do PCdoB, “resistência democrática”, até a eleição de 2020 e depois de 2022. Até lá, em vez de organizar a luta contra o governo golpista, cada vez mais autoritário e devastador de direitos do povo, o PCdoB nos convida a “reduzir danos”, conforme ele mesmo diz ter acontecido na votação da reforma da Previdência.