Os pais não devem ser amigos dos seus filhos

Rembrandt, O retorno do Filho Pródigo.

Há uma diferença absurda nas relações paterno-filiais e de amizade. Amigos se afastam por diversos motivos: interesses, empregos, famílias. Por mais que a relação se mantenha, existe um distanciamento que é impossível de acontecer com os filhos. Um filho se conecta aos pais espiritualmente. Está preso a eles por toda a eternidade. Pode ser ladrão, assassino, vagabundo ou o maior dos santos, para os pais, o filho continuará sendo filho. A amizade é um laço de união entre semelhantes. O filho, por mais que adquira características dos pais, jamais deixará de ser filho por ter interesses assimétricos. No tratamento de um para com o outro, pressupõe-se uma hierarquia que não está presente na amizde. Os pais nunca se colocarão no mesmo patamar dos filhos. Eles estão acima. Numa posição de respeito.

No Quarto Mandamento, está dito que devemos “honrar pai e mãe” e não “honrar os filhos”. A honra se deve àquele que, por meio de Deus, tornou possível nossa existência. O respeito é passado de geração para geração. Numa cadeia hierárquica: eu respeito meus pais; meus filhos me respeitarão; os filhos dos meus filhos os respeitarão, ad infinitum. Por fim, podemos considerar o amor. Amar os filhos é bem diferente de amar amigos. O amor aos filhos é doloroso, sofrido, repleto de sentido espiritual e existencial. Por mais que o amor seja universal, há nuances de intensidade como numa gradação de cores.

Fonte: Medium