O futuro do PSL de Jair Bolsonaro no Maranhão

Se há um Olimpo, uma Valhalla, um Eldorado dos partidos políticos brasileiros, com certeza o Partido Social Liberal (PSL) está lá. Da mais absoluta irrelevância até o, dentro em breve, topo da cadeia alimentar política brasileira no Brasil. Contudo, parece que, pelo menos o PSL Maranhão, aqueles que deveriam trabalhar pelo engrandecimento da legenda no estado não entenderam bem o momento político atual.

Suspeitas de que uma guerra silenciosa entre os quatro principais expoentes do PSL no Maranhão começam a ganhar força. Pode ser que sim, pode ser que não. No entanto, a falta de comunicação e articulação entre os quatro é notória. O “cada um por si” é hoje a principal aparência no partido. Mas, quem são eles?

São Luís do Maranhão era uma das poucas cidades no Brasil em que existia PSL antes das eleições de outubro de 2018. E se foi assim, o foi por conta da figura do vereador Chico Carvalho. Inacreditável é que, mesmo assim, Carvalho seja hoje o maior alvo dos ataques daqueles que pretendem “tomar o partido”. Infelizmente o próprio também tenta, aos trancos e barrancos, manter o status a soberania partidária.

A ex-prefeita Maura Jorge, nome mais conhecido do partido atualmente, desponta como uma das grandes lideranças no estado. Experiente e carismática, falta a Maura Jorge a identidade ideológica do PSL. Algo que, sozinha, dificilmente ela irá adquirir ao ponto de gabaritá-la para a disputa que se mostra no horizonte em 2022. Maura, assim como Chico Carvalho, trabalha pela liderança local.

O médico Allan Garcez é a liderança mais identificada ideologicamente com o PSL. Enquanto os TODOS os outros olhavam com desconfiança para as manifestações de 2016, Allan participava dos movimentos que pavimentaram o caminho para a vitória de Jair Bolsonaro em 2018. Isso o credencia como norteador partidário. Afinal de contas, não é nenhum despautério afirmar que figuras como Maura Jorge, Chico Carvalho e Fábio Câmara, até mesmo por sua vivência política, não conhecem a fundo os paradigmas políticos do PSL como Garcez. Contudo, isso não o credencia para arrogar para si os rumos do partido.

Para finalizar, temos Fábio Câmara. A maior liderança popular na capital maranhense do PSL. O carisma do ex-vereador em São Luís provavelmente supera o de Maura Jorge. É claro que no resto do Maranhão o jogo é invertido. O fato é que São Luís deve ser o ponto de partida para qualquer estratégia que se predisponha exitosa. Dessa forma, a experiência de Fábio Câmara e sua popularidade na capital são indispensáveis.

Boatos dão conta de uma espécie de disputa interna entre os quatro pelo controle do PSL. O controle de um partido que quase inexiste no estado. Qual o intuito? Apenas um: Brasília. Atitude que, obviamente, deixa de ser uma bobagem assustadoramente imbecil e completamente desconexa da realidade. E as razões para caracterizar essa disputa, caso ela realmente exista, são inúmeras.

HISTÓRIA: Por anos o PT maranhense se comportou como uma espécie de balaio de patetas lutando pela atenção de Brasília. Como resultado obteve o eterno papel de figurante na política estadual.

LEGADO: Conturbar um partido com potencial de assumir protagonismo, só que ainda não existe, é uma tolice sem tamanho. Com o fundo partidário e o eventual sucesso de Bolsonaro no primeiro biênio, o PSL pode alcançar a consolidação nacional em 2020. São dois anos que podem ser utilizados com planejamento e posterior sucesso, ou desperdiçados com intrigas e posterior fracasso.

2020 E 2022: A eleição municipal precede a estadual, uma obviedade. Tão óbvia quanto as pretensões do Grupo Sarney e do senador Roberto Rocha, forças já consolidadas à revelia do que acontecer em 2020. Logo, as eleições municipais são a única chance de gabaritar o PSL regionalmente para as eleições de 2022.

VERDADEIRO INIMIGO: Aqui o mais simples dos argumentos. Essa disputa interna no PSL, que fatalmente irá represar o partido, interessa apenas a Flávio Dino. Dois coelhos sem nenhuma cajadada: assiste de camarote o aborto do PSL no Maranhão e segue em paz para derrotar Bolsonaro no Maranhão nas urnas em 2022.

O fato é que os quatro maiores líderes do PSL possuem muitas condições de tornar o partido uma força estadual. Cada um deles possui uma característica imprescindível para a construção mais rápida e assegurada de uma agremiação forte.

Só que para isso precisam de união. Caso não queiram, restará a algum deles ser o líder de uma executiva estadual fracassada. E, enquanto tal, ser o grande responsável pelo fracasso do PSL no Maranhão. Lugarzinho guardado no fundo do poço ao lado dos petistas maranhenses.