O Estado do Maranhão em decadência?

Leolinda Daltro liderou uma passeata exigindo a extensão do direito ao voto às mulheres. Seu nome não foi lembrado pelo "jornalismo caprichado" de O Estado do Maranhão.

Leolinda Daltro liderou uma passeata exigindo a extensão do direito ao voto às mulheres. Seu nome não foi lembrado pelo “jornalismo caprichado” de O Estado do Maranhão.

Ontem (08 de março) O Estado do Maranhão publicou uma capa que pode ser entendida como sinal dos tempos. Aquele que já foi o maior impresso do estado cambaleia sem rumo e sem referência. Bêbado e inconsciente da grandeza do jornalismo de qualidade, se afoga em sua própria inanição. Quem sabe ainda atordoado pelo fim da gorda ajuda estatal, quem sabe apenas tentando “avançar” no mercado dos leitores que costumam gastar R$ 0,25.

O fato é que a capa comemorativa do Dia Internacional da Mulher não condiz com a esplendor da data.

A grandeza do dia

Por séculos e séculos mulheres foram torturadas e oprimidas pelo machismo e pelo preconceito. Impedidas de votar, impedidas de amar, escravizadas e tolhidas da felicidade. Na maioria absoluta das culturas, na maioria absoluta dos lugares do planeta foi assim. E se hoje temos uma presidente, se hoje a chefe maior da União Europeia é uma mulher, se hoje as mulheres começam a ocupar mais e mais cargos de chefia em grandes empresas, se hoje elas podem votar e expor seus pensamentos, devemos isso a milhares de anos de lutas.

Para quem pretende fazer jornalismo, o Dia Internacional da Mulher não pode ser tratado como matéria de “Capricho”, O Dia Internacional não pode ser tratado como foto de mulher nua do “Extra”. E ontem O Estado do Maranhão parece ter esquecido disso.

Deixou para trás figuras importantíssimas da luta pelos direitos da mulher, desprezou séculos e séculos de pautas importantíssimas e decidiu elencar o “nudes nas redes sociais” como chamada de capa para algo tão maior.

Poderia ter sido um acessório da matéria, nunca a chamada principal.

O todo pela parte

Existem signos que não comportam algumas mensagens. O fato é que a capa de ontem (08) de O Estado do Maranhão não condiz aos fatos. Ao mesmo tempo que tentou resumir séculos de lutas importantes em uma imagem simples (nudes em redes sociais são coisas comuns), reduziu o impresso ao tamanho de pequenos tabloides que costumam expor “mulher pelada” em suas capas para vender mais jornais.

Entendo a discussão e respeito. Sou um liberal, as pessoas são livres para discutirem o que quiserem. Até mesmo para discordar dessas discussões, certo? Justamente por isso reitero: O Estado do Maranhão tentou pegar o todo pela parte.

O fez por deslize ou o fez por convicção?

Esquecer mulheres como Leolinda Daltro não apenas na capa, mas também do miolo do jornal foi contraproducente. Muito mais que olhar para as conquistas do futuro, o Dia Internacional da Mulher serve para honrar a memória dessas mulheres.

Decadência e venda de jornal?

Não é novidade para ninguém que O Estado do Maranhão passa por uma crise. Em outros tempos a capa poderia ser encarada apenas como um desleixo, um deslize. Mas, será que é isso mesmo?

Com a chegada de Flávio Dino ao poder, parece que as coisas por lá não ficaram tão fáceis. Centenas de milhares de reais foram perdidos.

Será que estamos assistindo a uma guinada? Será que O Estado do Maranhão irá ganhar uma janelinha “gostosa do dia” em sua primeira página?

O futuro?

MONTAGEM: Será que a crise vai fazer ligar o “vale tudo” no futuro para vender jornal?

N.E: Ah, e que fique claro: os tais “nudes em redes sociais” não me oprimem e não me incomodam. Alguns deles até me aprazem (caso do nudes da capa). Mulheres e homens são livres para publicá-los quando quiserem. Você segue se quiser, você olha se quiser, você critica se quiser. Certo? O que não podemos é achar que essa discussão é capaz de abrigar todos os séculos de luta pelos direitos da mulher.

Em relação a artista, eu conheço e admiro. Talentosa, forte e uma das mais mulheres mais atraentes da música maranhense na atualidade. O debate não é sobre a minha querida, mas sobre o jornal e sua abordagem difusa do tema.