Militares de 64 destruíram o Brasil

Por Lucio Hoffmann

Os defensores da ditadura militar de 65/85 utilizam, como principal fundamento de defesa desse período, a tese de que os militares evitaram um golpe comunista.

Eles estão certos!

O ano de 1964 foi conturbado, levando o Congresso Nacional a cassar o presidente João Goulart, presidente que há anos namorava com o regime comunista, especialmente o chinês.

Em seguida, esse mesmo Congresso elegeu o general Castelo Branco, inclusive com os votos de Tancredo Neves e sua turma.

Até esse momento, tudo estava dentro da constitucionalidade.

O golpe militar ocorreu em 1965, pois, quando o Castelo Branco foi eleito presidente em 64, a promessa era de que o mandato seria de um ano e, após, o Brasil teria eleições diretas.

Isso não ocorreu.

Uma vez no poder, houve a sucessão de presidentes militares por duas décadas.

E o resultado disso foi um desastre para o Brasil.

Não escreverei a respeito das violações às liberdades individuais. Esse tema é amplamente levantado pela esquerda, a qual tem esse episódio como sua principal bandeira, às vezes agindo de má-fé ao não discorrer acerca dos crimes cometidos pelos terroristas de esquerda.

Por outro lado, essa mesma esquerda tem muito a comemorar com a ditadura militar.

Assim que o PT chegou ao poder, os camaradas encheram os bolsos de dinheiro, via bolsa ditadura.

Mas esse não é o principal fato a comemorar pela esquerda.

Os milicos destruíram a direita brasileira.

O principal líder da direita, o deputado Carlos Lacerda, foi cassado em 1968, justamente por se opor à ditadura instalada em 65.

Ao mesmo tempo, os militares deixaram as universidades e todo campo cultural nas mãos da esquerda.

O resultado, todos sabemos!

Ainda durante os anos de chumbo, os militares criaram a figura do “foro privilegiado” (prerrogativa de função).  Ele foi criado para blindar os parlamentares. Os juízes de primeiro grau foram impedidos de julgar os deputados e senadores, visto que essa competência foi dada exclusivamente ao STF.

Com o fim da ditadura militar,  foi elaborada  uma nova Constituição em 1988. Lógico que tal instituto foi mantido, fazendo com que a impunidade reine até os dias de hoje.

Nesse sentido, PT, PSDB e PMDB têm muito a comemorar.

Mas, com certeza, o ato mais cruel dos militares foi acabar com a democracia representativa no Brasil.

No período que os milicos estavam no poder, existiam apenas dois partidos: Arena, o partido dos militares e MDB, a oposição.

O MDB estava mais forte no sul e sudeste. Já a Arena dominava o nordeste, com o apoio dos coronéis.

Sentindo que perderiam novamente as eleições, os militares simplesmente mudaram a quantidade de deputados e o número deles por estado.

Nesse sentido, em 1962, o Brasil tinha 409 deputados. Ao término da ditadura, o Brasil tinha 487 deputados. Um crescimento de 19%, fardo que carregamos até hoje.

A regra do número mínimo e do máximo de parlamentares por estado também foi alterada por mais de uma oportunidade.

A realidade brasileira é que, há décadas, um voto de um eleitor de São Paulo vale muito menos do que de um eleitor do Maranhão, por exemplo.

Basta ver o número de votos que cada deputado de cada estado necessita.

Um deputado de Roraima representa 53 mil roraimenses, já um deputado de São Paulo representa 570 mil paulistas.

Tudo isso permite que o conjunto de deputados que representam uma parcela X da população tenha o mesmo poder que um deputado que representa X+10 da população.

Por exemplo, deputados de uma região X podem criar uma lei para proibir o Uber em todo o Brasil, penalizando especialmente a população do estado Y.

Com tudo isso, ainda existem pessoas que clamam pela volta dos militares.

Será que eles são a solução?

Qual a diferença entre os militares de hoje e os do passado?