Médicos ameaçam parar por falta de pagamento

Uma reunião hoje ( 27) no Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) deve decidir o futuro do trabalho de quase mil médicos no estado. Eles estão ameaçando suspender as atividades profissionais exceto para pacientes em situação emergencial – por falta de pagamento de salários, que está em atraso desde agosto.

De acordo com Abdon Murad, presidente do CRM, “ é uma reunião emergencial, considerando que há cerca de três meses muitos profissionais não recebem a sua remuneração da forma adequada”. No início deste mês, o Governo do Estado, em reunião realizada entre representantes da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e do CRM-MA, e com a participação de outras entidades de defesa, confirmou o atraso nos salários dos médicos de São Luís e do interior do Maranhão. Segundo a pasta, o pagamento dos honorários médicos ocorreria a partir de meados de novembro.

“Esta demora no pagamento de salários dos médicos, além de prejudicar o dia-a-dia dos prossionais, é uma desvalorização clara dos médicos que são essenciais na rede pública”, disse Abdon Murad.

Vale lembrar que foi anunciado pelo Governo do Maranhão, através da portaria nº 144 de 30 de outubro de 2018, divulgada no Diário Oficial do Estado (DOE), que os valores pagos pelo trabalho em plantões sofreriam redução. Na prática, os plantões dos profissionais médicos nas áreas de ginecologia, cirurgia geral, anestesiologia, pediatria e ortopedia sofreriam uma redução que deve variar entre R$ 200 e R$ 300.

O Maranhão é o estado com menor densidade de médicos por habitante do país, segundo levantamento divulgado pela Universidade de São Paulo (USP). De acordo com a pesquisa, o estado tem média de 0,87 por mil habitantes. O estado que mais se aproxima do dado negativo é o Pará, com 0,97 por mil habitantes.

Relembre

No dia 13 deste mês, médicos das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), insatisfeitos com salários atrasados, decidiram dar uma resposta ao poder público e promoveram uma “operação tartaruga” (lentidão proposital no atendimento”), que causou demora na assistência a centenas de pacientes. Na ocasião, O Estado apurou que o problema ocorreu em pelo menos duas unidades de saúde – no Vinhais e no Itaqui-Bacanga. A crise na saúde também se estende ao interior do estado