Marielle Franco foi vitimada três vezes

O assassinato de Marielle Franco desencadeou nos últimos dias no Brasil uma guerra de versões, uma batalha de visões de mundo e de tentativas de massificar discursos. Em poucas vezes foi tão perceptível, tão escancarada a busca pela privatização das preferências alheias. Em poucas vezes um cadáver foi tão desonrado e vilipendiado.

O único fato certo até agora é que Marielle Franco foi executada de forma covarde e bárbara. A motivação, bem como os autores, continua obscura. Ninguém sabe do que aconteceu.

Após sua morte, setores da esquerda, e a Rede Globo, iniciaram uma cruzada que exigia do povo brasileiro sentimentos absolutos por sua morte.

Tentam transformar lamentação em consternação. Não admitem que cada brasileiro digno apenas lamente o ocorrido, querem que o país sinta-se comovido e que ele a figura de Marielle a de um mártir nacional.

Em quase todos os telejornais da emissora é enaltecido o simbolismo do evento. Mulher, negra, favelada, homossexual, vítima dos poderosos que queriam calar a sua voz. Seguido a esta campanha jornalística/publicitária, veio a ideia de que o povo tinha obrigação de sair às ruas usando camisas que estampassem o belo sorriso de Marielle, pedindo o fim da Polícia Militar, gritando “Fora Temer” e abraçando o discurso da ex-vereadora em vida.

Logo em, seguida algumas autoridades trataram de dar ao assassinato de Marielle uma amplitude maior do que os outros 60 mil assassinatos que acontecem todos os anos no Brasil. E, mesmo que as circunstâncias ainda não estejam esclarecidas, começaram a alardear crime político movido por preconceito.

Esse foi o ponto de inflexão da coisa! O pino da granada foi puxado justamente aqui!

Qualquer declaração sobre o que teria realmente ocasionado a morte de Marielle é leviana! Positiva ou negativa, é irresponsável porque pode muito bem ser desmentida!

Marielle, como cidadã livre e consciente, tinha suas opções políticas e seguia certa ideologia. Da mesma forma que é irresponsável elucubrar sobre sua morte, também o é ambicionar que suas preferências políticas sejam abraçadas por todos após sua morte.

Os “aliados” de Marielle não pensaram em nenhum momento nos efeitos que o uso publicitário de sua morte teria para a memória dela.

Tentar torná-la um mártir político, um ídolo, uma espécie de cânone foi o ponto de partida para esta batalha louca que vemos nas redes sociais.

O fato é:

Todos os brasileiros dignos lamentam a morte da ex-vereadora.

Todos os brasileiros dignos iriam optar pela vida dela se tivessem tal escolha.

Todos os brasileiros dignos repudiam qualquer tentativa de vilipendiar Marielle após sua morte.

Só que isso não significa que todos os brasileiros agora aceitem e sigam as opções políticas de Marielle. Isso não significa que todos os brasileiros não se revoltem com essa tentativa medíocre da Rede Globo e da esquerda de tornarem Marielle garota propaganda, depois de morta, de suas convicções.

A ex-vereadora representava certa categoria de político que é SIM antipatizada pela população brasileira. A militância do PSOL é vista por uma esmagadora maioria como sendo segregacionista, vitimista e desordeira.

O PSOL de Marielle luta contra a redução da maioridade penal, tende a caracterizar bandidos como “vítimas” da sociedade, quer o fim da Polícia Militar, anda de mãos dadas com movimentos impopulares como o MST e os famigerados black blocs e milita pela legalização das drogas.

TODAS PAUTAS REPROVADAS PELA MAIORIA ABSOLUTA DOS BRASILEIROS.

Qual o problema nisso? NENHUM! Torno a dizer: como cidadã livre e consciente Marielle tinha todo o direito de seguir as pautas que achasse melhores. Não apenas ela, mas todos os filiados do PSOL e simpatizantes.

O problema nessa história foi tentar construir certa consternação que posteriormente fosse usada para alavancar estas pautas. O problema nessa história foi tentar empurrar um ídolo falso goela abaixo do povo brasileiro.

As reações, muitas delas imbecis, vieram.

Os mais racionais, mesmo lamento a morte de Marielle, apenas criticaram a exposição exacerbada da ex-vereadora. Desconfiaram do que estava por trás de tantas horas na Globo dedicadas ao assunto. Criticaram algumas das pautas defendidas por ela em vida.

Já os transloucados… Esses começaram uma campanha de difamação sórdida contra a memória da ex-vereadora. Ao mesmo tempo em que reclamavam da esquerda que já a canonizava sem saber das razões de seu assassinato, espalhavam versões obscuras que davam conta dele.

Marielle Franco não merece ter sua memória vilipendiada em NENHUMA circunstância. Bem como o povo brasileiro não merece ser cobrado por uma consternação que não sente.

O festival sórdido que vemos hoje se deve única e exclusivamente a uma tentativa de nacionalizar uma situação e de reações nojentas de tentar frear isso.

No fundo os detratores da memória de Marielle e aqueles que tentam usar seu cadáver politicamente são os responsáveis por um dos momentos mais confusos do Brasil na atualidade.

Marielle Franco foi vitimada três vezes: vítima dos covardes que a mataram, vítima dos irresponsáveis que tentam usar politicamente sua morte, vítima dos boçais que mancham sua memória.