Maranhão é segundo no ranking de mortes no campo

De 1985 a 2017, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), 157 pessoas foram assassinadas no Maranhão em conflitos no campo, o que coloca o estado em segundo no ranking nacional, atrás apenas do Pará. Entre as vítimas estão indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. De todos os registros ao longo desse tempo, apenas cinco casos foram julgados.

Os dados divulgados pela CPT mostram que, durante os 32 anos de levantamento, foram contabilizados 1.438 casos de conflitos no campo em que houve assassinato no Brasil, com 1.904 vítimas. Desses, apenas 113 foram julgados, o que corresponde a 8% dos casos. No ano passado ocorreram 70 assassinatos no Brasil, que significa um aumento de 15% em relação a 2016 e é o maior número desde 2013.

“Nesse caso dos quilombolas e dos indígenas existe uma política pública do estado brasileiro de que, nos últimos anos, sofreu um enorme revés e tem diminuído intensamente a sua atuação. A consequência disso é o acirramento desses conflitos”, disse o defensor público Jean Carlos Nunes.

No Maranhão, 18 pessoas morreram nos últimos dois anos como vítimas de conflitos agrários. O caso mais recente denunciado ocorreu no início deste ano, quando um grupo de produtores rurais foi à sede da Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão (OAB-MA) para relatar casos de tortura e ameaças. Seriam cerca de 50 famílias sofrendo pelas terras em que moram, no município de Luís Domingues.

Em abril de 2017, o caso do conflito entre índios gamelas e fazendeiros, em Viana, ganhou repercussão nacional pela violência do confronto. Mais de 10 pessoas ficaram feridas e um problema está longe de ser resolvido

“O trabalho que continuamos fazendo de dar visibilidade a isso que a gente está conseguindo registrar. Mas até agora o sentimento é de que há descaso por parte do poder público e autoridades no sentido de resolver a situação desses trabalhadores do Brasil” contou Antônio Gomes, membro da coordenação colegiada da CPT.

A Secretaria dos Direitos Humanos e Participação Popular do estado informou que desde 2015 o governo têm adotado medidas no combate à violência no campo. Entre as ações estão o funcionamento de uma delegacia agrária, a criação da comissão de prevenção à violência no campo e na cidade, além dos programas de proteção aos defensores de direitos humanos e às vítimas e testemunhas ameaçadas.