Lista de inquéritos de Janot atrasa e paralisa Brasília

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Rodrigo Janot deve entregar hoje ao STF a lista com 80 inquéritos envolvendo 400 políticos.

BRASÍLIA. Prevista para ser entregue nessa segunda-feira (13), a chamada “lista do Janot” – nome dado aos documentos em que o procurador geral da República, Rodrigo Janot, pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para investigar políticos citados nas delações premiadas de executivos da Odebrecht – não foi concluída e, com isso, manteve paralisada a rotina política em Brasília por mais um longo dia.

Agora, a expectativa é que os nomes sejam enviados ao STF nesta terça-feira (14). Porém, não se sabe se a publicidade dos pedidos será imediata. Várias etapas precisam ser seguidas, e o procedimento tende a levar alguns dias, antes da liberação do conteúdo para a sociedade.

Enquanto os pedidos não são de conhecimento público, os cálculos sobre o número de atingidos pelas delações assustam toda a classe política. A previsão é que sejam ao menos 80 inquéritos, incluindo nomes e irregularidades praticadas por até 400 políticos de diversos partidos. PT, PMDB e PSDB encabeçam a lista, com suas principais figuras afetadas pelo escândalo revelado por 78 ex-executivos da maior empreiteira do país.

A tensão é ainda maior no Palácio do Planalto. Os prejuízos são incalculáveis, no momento em que o governo tenta garantir um funcionamento normal do Congresso para aprovar a reforma da Previdência e as mudanças trabalhistas. De acordo com interlocutores na Esplanada, cinco ou seis ministros devem estar entre os beneficiários de recursos sujos da Odebrecht. Resta saber se todos eles estarão na lista a ser enviada ao STF por Rodrigo Janot.

Sobre um deles não há dúvida. Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil, foi delatado por Cláudio Melo Filho, que o apontou como responsável por articular a entrega de ao menos R$ 4 milhões da empresa para campanhas do PMDB. Outro que deverá estar na lista é Moreira Franco. Alçado recentemente à Secretaria Geral da Presidência, também foi citado por Melo Filho. Ele teria atuado como arrecadador de recursos da empreiteira.

No Congresso

 O clima é de pânico contido também no Congresso. No domingo, em um almoço realizado na residência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com a presença de ministros, senadores e deputados de vários partidos, e o do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, o assunto era tratado pelos cantos.

Segundo os presentes, em relação à iminência da divulgação da lista, “todo mundo estava fingindo tranquilidade”. Mas Renan mostrou incômodo. “Rapaz, não tem agenda! Se essa lista te paralisar, você morre! É preciso continuar trabalhando, ninguém pode parar de fazer política”, dizia Renan nas rodas por onde passava.

A reunião era para discutir pontos de uma minirreforma política, cujo principal tema é a adoção de uma lista fechada de candidatos por partidos, sem coligações, com financiamento público de campanhas.

Diluição

Na torcida. Com tantos políticos na lista, a avaliação no Palácio do Planalto é que a derrubada do sigilo das delações da Odebrecht contribuiria para que o impacto fosse diluído.

Diferenciando

Estratégia. Alvos de Rodrigo Janot, PSDB e PMDB querem convencer que seus pecados estão restritos ao caixa 2 e vão tratar o PT como a única sigla que é suspeita de cometer crimes.

Fonte: O Tempo