Freire vai reformular Rouanet

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Roberto Freire afirma que dará continuidade ao projeto de Calero.

RECIFE. De passagem pelo Recife para discutir a conjuntura política local e nacional, o ministro da Cultura, Roberto Freire (PPS), afirmou que vai reformular a Lei Rouanet. Recém-empossado no cargo, em virtude do pedido de demissão de Marcelo Calero, Freire disse ser favorável à política de incentivo cultural.

No entanto, ressaltou que a atual situação não pode permanecer como está. A medida vem em meio a irregularidades apontadas pela Polícia Federal durante ação para coibir repasses a empresas patrocinadoras de projetos culturais. “Somos favoráveis que exista uma política de incentivo cultural, mas não cabe uma continuidade nos termos em que ela se encontra. Já existe um projeto tramitando no Congresso Nacional que pede a reforma da Lei. Vamos analisar o que ela propõe e discutir para saber se deve ter continuidade ou se devemos elaborar outra ouvindo mais a população”, declarou.

Após a turbulência da saída de Calero, Freire pregou o diálogo com o antecessor e disse que dará continuidade às ações já empregadas. “Nossa ideia é de continuidade. Até porque o ministério já havia sofrido a intervenção do novo Governo após o impeachment. Vamos conversar com ele, manter o que deu certo e mudar o que precisa ser mudado”, acrescentou. O ministro não quis entrar na polêmica envolvendo Calero e o ministro da secretaria de governo, Geddel Lima, este último acusado por Calero de obrigar a liberação de obras em Salvador negada pelo Iphan.

Segundo Freire, a celeuma deverá ser resolvida pelo presidente Michel Temer e quanto as determinações feitas pelo instituto, manterá. “Estou assumindo e vou continuar o que se deve e mudar o que precisa. Não significa tranquilidade total, até porque é a exoneração de um ministro, mas vamos ter que dar o grau de normalidade. Vou manter as decisões do Iphan. Não é nenhuma decisão política, é um órgão que tem a ver com o patrimônio do país e, portanto, suas decisões devem ser respeitadas”.

Repercussão

A nomeação de Freire parece não afetar os ânimos do setor cultural da cidade. “O Calero estava fazendo um trabalho de desmonte de uma série de conquistas que foram construídas nos últimos anos, mas a saída dele não muda nada. A questão é o lugar em que ele estava, cheio de problemas políticos, éticos e morais de um governo que não tem legitimidade”, afirma o diretor e ator Marcelo Bones.

A produtora Nena Inoue também não vê novas perspectivas com as mudanças. “Ele foi o primeiro homem que aceitou estar ao lado de Temer depois das negativas das mulheres. Ele será lembrado como o ministro golpista da Cultura”, ressalta.

Nena também acredita que a entrada de Freire pouco vai alterar o cenário da pasta. “Assim como Calero, ele também aceitou estar onde está. Roberto não tem qualificação técnica nem trajetória ou conhecimento da área. Esse é só um capítulo de uma novela que não muda nada”, conclui a produtora.

O ex-ministro da Cultura Juca Ferreira se posicionou em sua página do Facebook. “Pela boca de Calero, um fiel auxiliar de Temer, o ataque ao patrimônio histórico nacional é mais uma vez comprovado. Temer não poderá alegar que não sabia do crime cometido por Geddel, que usou suas prerrogativas de ministro para obter benefício pessoal”.

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Fonte: O Tempo