Defender aborto é questão de identidade ideológica

Um simples sorriso já vale qualquer esforço de toda a sociedade em defesa da vida

Inicialmente é bom esclarecer que as pessoas contrárias ao aborto o fazem em defesa do maior e mais inalienável direito humano: o direito à vida. Não diz respeito à religião ou preferências morais. Defender a vida é algo natural e completamente evidente. Apelar para argumentos que colocam os críticos do aborto como movidos por fatores externos, que não a defesa da vida, é uma mentira.

O maior e mais absurdo argumento à favor do aborto é o que versa sobre a questão da “saúde pública”. O direito ao aborto, que consiste na interrupção de uma vida, deve ser defendido porque irá servir de mecanismo para proteger a vida da mulher.

Quer dizer que vale à pena matar para salvar? Então vale a identificação e extermínio de todos os aidéticos? Pensem em quantas vidas seriam salvas? Então podemos matar todos os cachorros de rua? Então podemos matar todos os mendigos? Então ceifar toda e qualquer vida que coloque em risco outra vida?

Outros afirmam que ter um filho é uma “responsabilidade que não deve ser obrigatória”. Ora, eis aqui o suprassumo do egoismo humano. Se vivemos em uma sociedade em que pais e mães não são obrigados, pelo menos moralmente, a defender a vida dos próprios filhos mesmo que isso incida em sacrifício pessoal, como exigir que essa mesma sociedade tenha apreço pelo próximo?

Matar para ” se salvar” não é uma saída válida porque caso aplicada de forma universal resulta em selvageria. E, no fundo, é isso que o aborto é: a opção pela selvageria.

Se fôssemos realmente civilizados discutiríamos redes de proteção social que pudessem auxiliar mães em situação de risco na criação dos filhos. Também seria muito útil falar sobre campanhas que evitassem gravidez indesejada. Melhorar e agilizar a rede de adoção seria mais conveniente do que matar crianças no centre das mães. E, em instância, devemos discutir sobre a esterilização (essa sim uma questão de saúde pública).

Optar pelo aborto é optar pela preguiça de debater soluções complexas para uma situação complexa. Dizer que matar é saída para saúde pública é simplesmente loucura. Colocar qualquer outro tipo de argumento acima da preservação da vida humana é um erro abominável.

Infelizmente a maioria das pessoas que defende o aborto o faz apenas por opção política. Ser abortista hoje em dia é, antes de qualquer coisa, uma manifestação de natureza política. E vou mais além: um grito de redenção da esquerda.

Defender o aborto, meus caros e caríssimas, nada mais é do que ideologia. E eis aqui um dos grandes problemas da ideologia. Ela se sobrepõe até mesmo ao direito de viver de outras pessoas quando atinge níveis de patologia.