Com a lista de Janot, Congresso vai correr para apressar a anistia dos caixas 1, 2, 3…

Com os olhos e os ouvidos, os corações e as mentes voltados para os movimentos da Procuradoria-Geral da República, de onde deve sair esta semana a “segunda lista de Janot”, com as denúncias contra políticos, ex, governantes e ex, baseadas nas delações premiadas de 77 executivos da Odebrecht, partidos e políticos no Congresso, com a “discreta” simpatia do Executivo, vão começar a botar para fora o plano de anistiar as doações empresarial de campanha. Seja no já conhecido caixa 2, mas agora também no caixa 1 ou qualquer outro caixa que venha a aparecer nas investigação da Operação Lava-Jato e similares.

Esta é a ideia fixa que acompanha o mundo político de A a Z.

O procurador Rodrigo Janot, segundo as indicações disponíveis, deverá enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a qualquer momento a partir de hoje, o pedido inicial de abertura de cerca de 80 inquéritos, que devem atingir figuras carimbadas da base de sustentação política do governo, de PMDB a PSDB e menos votados.

Haverá também pedido de quebra de sigilos, mas isto demorará alguns dias para as  denúncias virem a público, pois dependerão do despacho inicial do ministro Edson Fachin. De todo modo, ninguém está livre de vazamentos, nem de ter seu nome agraciado.

O movimento da anistia que já grassava solto ganhou um encorajamento, ainda que indireto, com a declaração do ministro do STF e presidente do TSE, Gilmar Mendes, de que é preciso “desmistificar” o caixa 2.

Os parlamentares vão tentar ainda, até setembro, aprovar novas regras para o financiamento das campanhas eleitorais, com a volta de algum tipo de contribuição empresarial. Isto no bojo de mais uma reforma eleitoral.

O presidente Michel Temer, que tem um de seus principais ministros como um muito provável alvo, o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, tem mandado emitir sinais de que não está preocupado com isto. Sabe-se que são declarações para efeito externo. O Planalto também está em tensão máxima.

Primeiro, porque pode abater pessoas do coração equipe presidencial, como é o caso de Padilha e Moreira Franco, desarranjando parte de sua operação política no Congresso. O ministro da Casa Civil volta hoje a Brasília, depois de uma licença para uma cirurgia, e deve ter sua situação definida. Não é impossível que comece preparar a despedida do cargo.

Segundo, porque a depender do terremoto que as denúncias de Janot causarem no Congresso, individualmente e nos partidos, ele pode provocar uma meia paralisação das atividades das duas casas, com prejuízos para a votação das propostas de reformas do governo. O Congresso pode cair num salve-se quem puder e ficar totalmente dominado pela obsessão da anistia aos financiamentos de campanha. E nada mais.

Um outro motivo de agitação política amanhã na capital da República será o depoimento do ex-presidente Lula na Justiça Federal, no processo em que é acusado de tentar barrar investigações da Lava-Jato. Há um temor de que movimentos sociais possam fazer muito barulho por lá em defesa do ex-presidente e de algum confronto com forças de segurança.

Outro depoimento muito aguardado, este hoje em Curitiba, é o Emílio Odebrecht ao juiz Sérgio Moro, como testemunha de seu filho Marcelo. Ambos, pai e filho, a lembrar, fizeram delações premiadas.