César Pires e o crepúsculo da “nova política” no Maranhão

O deputado estadual César Pires (PV) é um tradicionalista na política. Cultiva valores que eram imprescindíveis aos grandes homens de outros tempos. Valores que, infelizmente, foram substituídos por uma espécie de “nova política” mais preocupada com a manicure e pedicure do que com o uso das palavras. Quis o destino que o tradicionalismo de Pires fosse responsável pela exposição dos pecados da tal “nova política” no parlamento estadual.

Pires tem cabelos brancos, usa óculos, não costuma aparecer por selfies inusitadas em redes sociais, não faz palhaçadas, não expõe a família por likes e nunca deu valor a frivolidades. Pelo contrário, é conhecido por qualidades que antes eram muito caras a qualquer político. Tem polidez intelectual, altivez no trato com aliados e adversários, desenvoltura no uso da língua durante seus discursos.

César Pires é do tipo de político que transcende ideologia porque suas qualidades são, pelo menos para os sóbrios, objeto de desejo e metas de vida. Argumento facilmente constatado por uma verdade inquestionável: ao longo de vários mandatos acumulou o respeito e admiração de aliados e, também, de adversários.

Quis o destino que após o fatídico 2018, ano em que a política foi invadida por uma enxurrada de neófitos que se escondem atrás da cortina da “nova política”, que o tradicionalismo de César Pires fosse solicitado a desnudar a fragilidade de caráter e de neurônios de dois novatos: Hidelis Duarte Jr (PCdoB) e Yglésio Moyses (PDT).

Logo em seu primeiro dia, quando convidado, por questões óbvias, a ser o primeiro deputado a fazer uso do grande expediente, Pires foi alvo da empáfia e da vaidade do deputado Duarte Jr.

Como todo bom representante da “nova política”, Duarte Jr acredita ser o centro de toda a política e de todas as atenções. Mesmo sendo um desconhecido da classe política em seu primeiro dia de parlamento (todo deputado recém-eleito é desconhecido em seu primeiro dia), o jovem deputado acreditou piamente na ideia de que César Pires, alçado ao posto de primeiro orador da nova legislatura, iria dedicar seu discurso a ele.

Dos porões da ignorância e do submundo ignominia, Duarte Jr lançou ataques e provocações a César Pires. Pires reagiu, os dias seguintes mostraram que o neófito também se tratava de um desequilibrado e assim se desnudava o primeiro véu da falsidade da tal “nova política”. Hoje Duarte Jr e visto como um parlamentar oportunista que ataca em público e pede desculpas em particular. Situação que o deixa, a cada dia, mais isolado em sua própria base.

Poucos meses depois, em setembro, o deputado César Pires usou a tribuna para denunciar problemas na saúde do estado. Então, assim como Duarte Jr, outro enviado da “nova política” decidiu confrontar Pires, Yglesio Moyses.

Um dia após a denúncia de Pires, o pedetista acusou Pires de ter mentido no dia anterior. Yglésio acusou o deputado, por mais de uma vez, de mentir. Além de ironizar a erudição de César Pires, como se erudição fosse motivo de vergonha. Talvez seja, para idiotas talvez erudição seja motivo de embaraço. Durante seu discurso Yglesio confirmou que teve conversas sobre o assunto com Pires.

A réplica de Pires fugiu um pouco da temperança que lhe é comum, mas não deixou de ter a qualidade de sempre: parte das informações da denúncia foram dadas pelo próprio Yglésio que agora defendia o governo.

Nas horas seguintes vários deputados e jornalistas debateram o episódio e, assim como antes com Duarte Jr, concluíram que Yglésio Moyses não só foi autor de parte da denúncia que municiou as críticas de César Pires ao governo. Além de, cruzando informações, descobrirem que Yglésio Moyses costuma agir como dedo-duro e duas caras em relação a aliados. Entre eles o senador Weverton Rocha, que vem sendo esculhambado nas sombras por Yglesio por recusar-lhe o posto de candidato a prefeito. Aliás, que coincidência. A vontade de ser prefeito parece pré-requisito para a insolência.

Pires extraiu e tornou público grandes pecados da “nova política”: a insolência e a arrogância de Duarte Jr e a deslealdade e a velhacaria de Yglesio Moyses.

Ao fim de seu discurso na manhã de hoje Pires afirmou que em 17 anos de vida pública só teve esse tipo de embate duas vezes, e as duas nesta legislatura.

Hoje César Pires, mesmo inconscientemente, representa concretamente o fato de que é muito melhor um bom político tradicional a uma, ou duas, farsas atuais.