Carta aberta a Fernanda Montenegro

Na tarde de ontem a senhora usou o programa Domingão do Faustão para defender sua categoria. Obviamente lançou mão em um direito que lhe é devido e que em absolutamente nada surpreende quem acompanha sua classe. Contudo, são necessárias ressalvas e esclarecimentos ao que foi dito naquele auditório. Falas que, apesar de fantasiosas, se arrogaram um status de verdade.

Inicialmente gostaria de afirmar que o povo brasileiro não confunde a classe artística com os parasitas que se locupletavam às custas dos recursos do povo nos anos de governo do PSDB e PT. Nós, o povo, sabemos muito bem quem são os homens e mulheres que batalham pelas artes e quem são os charlatães. Da mesma forma que temos o discernimento suficiente para diferenciar recurso público investido em cultura de dinheiro saqueado por meio de projetos forjados por canalhas.

A população brasileira sabe muito bem que os parasitas que sugaram milhões e milhões dos cofres públicos via Lei Rounaet não são a classe artística, Dona Fernanda! São alguns artistas. Aliás, são muito artistas para, depois de tudo, fingirem que a coisa não é com eles. Só que não são todos os artistas. Vocês não são todos os artistas, Dona Fernanda. Não são todos os artistas e também não são a arte.

Dona Fernanda, muito de seus amigos e colegas de profissão foram sócios da quadrilha que saqueou os cofres públicos de 1994 a 2016. Quando se vislumbrou a possibilidade de mudança, defenderam com unhas e dentes a manutenção do poder da vilania que praticou o roubo escancarado. E não fizeram isso na calada da noite ou sob o véu do anonimato, fizeram questão de emprestar suas imagens em shows, redes sociais, programas de televisão e em todo lugar que puderam.

Após todas as descobertas, todos os processos. Após todas as condenações e prisões, você e seus amigos, que não são a classe artística, lutaram pela manutenção dos ladrões e exigiam a volta dos condenados ao poder. Portanto, são corruptos sim! E corruptos de muitas formas!

No seu caso, espero acreditar que a corrupção se resuma a esse papel sonso de “não era comigo”. Uma espécie de corrupção da fé alheia, daqueles que confundem seu brilhantismo profissional com rigidez de caráter. Nós dois, e tantos outros milhões, sabem que as coisas não são a mesma coisa.

Ao tentar emprestar sua imagem e cacife social para defender esse pessoal, a senhora veste a carapuça da corrupção. Pode nunca ter embolsado INDEVIDAMENTE um centavo de dinheiro público, coisa que eu duvido muito, mas adentra no clube dos corruptos.

Tentar levantar o estandarte da neutralidade após o fim das eleições, quando vocês não foram neutros em momento algum, é um ato de covardia que não condiz com a coragem que artistas da Globo tanto exortam pelos quatro cantos.

Por décadas vocês tiveram a chance de negar o status de coisas que afundou esse país no caos, preferiram não apenas a aceitação, mas o apoio e a subserviência. Não tente posar de enganada, porque não foi! Enganado foi o eleitor que nada ganhou com o apoio e o voto dado. Quem saiu dos governos alguns milhões mais rico não foi enganado, foi cúmplice!

Aí agora a senhora quer que as pessoas simplesmente esqueçam? Esqueçam do apoio aos bandidos, das cusparadas, dos milhões e milhões distribuídos para amigos em nome da arte? Não, Dona Fernanda! Nós não iremos deixar vocês abandonarem os petistas agora! Vocês são tão corruptos quanto eles sim! E, por mais que a senhora tenha talento incomum na arte da encenação, ninguém vai cair nessa conversa fiada de que os ladrões eram apenas eles.