Baralho marcado? Vazamento sobre Toffoli faz Janot suspender delação de Léo Pinheiro

alx_rodrigo-janot-

De acordo com o jornal O Globo, Rodrigo Janot, procurador-geral da República, mandou suspender as negociações para o acordo de delação premiada de Léo Pinheiro e de outros executivos da OAS. Janot teria se irritado com o vazamento de uma informação publicada pela revista VEJA que relata que na fase de pré-acordo, Dias Toffoli, ministro do Supremo, teria sido citado.

Segundo a VEJA, Toffoli havia reclamado de infiltração em sua casa e que a OAS enviou engenheiros ao local para fazer uma avaliação. Uma empresa teria sido indicada para fazer a obra e a revista  relata que a conta da  foi paga pelo ministro.

De acordo com O Globo, a Procuradoria entendeu que o vazamento do nome do ministro do Supremo seria uma maneira de os delatores pressionarem o órgão a aceitar a delação segundo os interesses do investigado.

Esclarecendo: a própria VEJA diz que com o que se tem agora, Toffoli não pode ser acusado de nada. Resta saber se os delatores no pré-acordo, especificaram se têm algo mais a dizer.Com a reação do Minitério Público Federal, esse não parece ser o caso. Nota-se que seria um jogo arriscado demais suspender uma delação para, ”proteger” o nome de um ministro do Supremo.

Foi afirmado que se houvessse algum elemento grave contra Toffoli, o mesmo teria, quando menos, de se declarar impedido de votar nos casos referentes ao petrolão. Confirmada a prática de crime, há a possibilidade de impeachment para ministro do Supremo.

Com o que se tem até agora, não cabem nem uma coisa nem outra. Não há evidência nenhuma contra ele.

Nota-se estranheza também na decisão de Janot. Não fica bem claro por que o vazamento seria uma maneira de forçar a aceitação do acordo “segundo os interesses do investigado”.

Desde o início da Lava-Jato, essa foi a primeira que Janot tomou uma medida como essa. Pinheiro já foi condenado em primeira instância por Sérgio, a 16 anos de prisão. Dado o que foi reunido contra ele e contra a empresa, sem um acordo, dificilmente a sentença não se endossaria em instâncias superiores e ele começaria a cumprir pena em regime fechado.