Aumento da pobreza e denúncias de corrupção marcam gestão Dino

Aumento da extrema pobreza do Maranhão, última colocação em estudos de credibilidade nacional e internacional que analisam indicadores sociais, e denúncias de corrupção na máquina pública, marcaram a primeira gestão do governador.

O primeiro mandato do comunista será formalmente encerrado amanhã. A partir do dia 1º ele dará início ao segundo mandato, com uma série de desafios. Um destes desafios diz respeito à recuperação da saúde scal e a recolocação do estado na rota de desenvolvimento.

Foram pelo menos três os estudos que apontaram o aumento da extrema pobreza no Maranhão durante a gestão Flávio Dino.

Em dezembro do ano passado relatório do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) apontou aumento da pobreza entre os anos de 2015 e 2016 no estado em decorrência de um baixo desempenho do setor econômico local.

Já em 2018 levantamento da consultoria Tendências colocou o Maranhão como líder do ranking negativo da extrema pobreza do país.

De acordo com a Tendências, divulgado pelo Valor Econômico, 12,2% das famílias maranhenses viviam, até o ano passado, com menos de R$ 85,00 por pessoa. Quatro anos antes, quando o governador Flávio Dino ganhou a eleição para exercer o primeiro mandato, o indicador era de 8,7%.

O índice da consultoria Tendências chamou atenção por ser o maior do país, superior, por exemplo, ao registrado por estados como Acre, Bahia e Piauí.

IBGE – No início deste mês relatório da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geograa e Estatística (IBGE) revelou números mais graves.

De acordo com o levantamento, cerca de 54,1% dos maranhenses, ou seja, mais da metade da população do estado, vivem com menos de R$ 406 por mês [situação de pobreza].

De acordo com o IBGE, mais de 81% dos maranhenses não possui saneamento básico adequado, enquanto a média nacional é de 35,9% da população. Além disso, 32,7% das pessoas não tem acesso à coleta direta ou indireta de lixo e 29,2% não dispõem de abastecimento de água.

O relatório enfatiza que cerca de 3% da população maranhense vive sem nenhum tipo de renda [miséria], enquanto a média nacional é de 2,4%. Outros 24,3% vivem com renda de um quarto a meio salário e outros 27,4 % viven com renda entre meio a um salário-mínimo no estado.

Todos os dados são preocupantes e atestam uma queda acentuada do estado no que diz respeito à situação a que a população do Maranhão foi submetida na atual gestão. Os números são públicos e podem ser acessados nos portais dos institutos citados na reportagem.

O Estado entrou em contato com o Governo do Maranhão para obter um posicionamento a respeito dos indicadores sociais, mas não obteve respostas até o fechamento desta edição.

Saiba mais

No mês passado o Instituto Brasileiro de Geograa e Estatística (IBGE) conrmou a queda de quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Maranhão nos anos de 20105 e 20106. Pelo relatório, o PIB maranhense encolheu 5,6% em 2016 depois de já recuado 4,15% em 2015 – primeiro ano da gestão Flávio Dino (PCdoB) -. O instituto também revelou que Maranhão é o estado com o menor PIB per capita do país.

Flávio Dino teve maior aporte de recursos para combater a pobreza

Apesar de ter fracassado na promessa do combate à extrema pobreza no Maranhão, feita no discurso de posse no dia 1º de janeiro de 2015, na sacada do Palácio dos Leões, o governador Flávio Dino (PCdoB) teve à sua disposição orçamento maior do que todos os seus antecessores no comando do Poder Executivo.

Em 2015, primeiro ano da gestão comunista, Dino teve à sua disposição R$ 15.885.374.282,00 bilhões. O montante foi R$ 1,7 bilhão a mais do que o valor executado no exercício 2014, último ano do governo Roseana Sarney (MDB).

Do montante à disposição de Dino, R$ 11.521.849.777,00 bilhões foram destinados ao Orçamento Fiscal; R$ 4.235.266.378,00 ao Orçamento da Seguridade Social; e R$128.258.127,00 bilhões ao Orçamento das Empresas Estatais controladas pelo Estado. Flávio Dino ainda usufruiu de R$ 2 bilhões referentes a um empréstimo junto ao BNDES formalizado pela gestão anterior.

De 2015 a 2018 só houve elevação no orçamento do estado. Em 2016, por exemplo, Dino teve em mãos R$ 16.682.034,97 bilhões, cerca de R$ 2,5 bilhões a mais do que a sua antecessora no último ano de governo.

Em 2017 o orçamento do estado foi de R$ 18.261.620.064,00 bilhões e em 2018 de 19.987.796.000,00 bilhões.

Flávio Dino – que não conseguiu evitar o rebaixamento do Maranhão em alguns dos mais importantes indicadores sociais -, terá a sua disposição para 2019 o montante estimado de R$ 21.201.079.000,00.

‘Aluguel Camarada’ e operações da PF desgastaram a imagem do Governo

O governador Flávio Dino (PCdoB) encerrará o seu primeiro mandato em meio ao fantasma de denúncias de corrupção na máquina pública e uma condenação, com declaração de inelegibilidade pela Justiça Eleitoral.

Em 2017 a gestão estadual ficou como o centro das atenções após O Estado revelar o escândalo que cou conhecido como “Aluguel Camarada”.

Trata-se de um contrato de locação de um imóvel onde foi instalado o anexo da Fundação da Criança e do Adolescente (Funac) no bairro da Aurora, rmado entre o Governo do Estado e Jean Carlos Oliveira, liado ao PCdoB e que também era funcionário contratado da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap). O caso passou a ser investigado pela 1ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público Estadual.

Na ocasião, O Estado revelou que apesar de ter pago R$ 170 mil só de aluguel pelo prédio desde 2015, o Governo só passou a utilizar o imóvel em abril de 2017.

Dados oficiais do Portal da Transparência, mostravam que o primeiro pagamento feito pelo Governo ao comunista ocorreu no dia 13 de agosto de 2015: R$ 9.563,33.

O imóvel havia sido utilizado como comitê de campanha do PCdoB na eleição de 2014. Depois do escândalo, que chegou a ser tema de reportagens no Jornal Hoje da TV Globo, Dino retirou a Funac do local, mas manteve o aluguel para uma unidade da PM que não possui efetivo ou viatura, segundo a população.

O Governo também foi abalado por operações da Polícia Federal (PF), a exemplo da Pegadores, no bojo da Sermão aos Peixes, que revelou a existência de uma organização criminosa na estrutura da Secretaria de Estado da Saúde (SES).

A ex-secretária adjunta da pasta e ex-candidata a prefeita de Imperatriz apoiada pelo Palácio dos Leões, Rosângela Curado (PDT), chegou a ser presa.

O secretário de Saúde Carlos Lula, responde a um inquérito da PF. Na ocasião de uma das fases da operação, a superintendente da PF no estado, Cassandra Ferreira Alves Parazi, armou que Carlos Lula sabia dos esquemas. “Especialmente o secretário de Saúde. Ele especialmente tinha conhecimento disso e não soube tratar da melhor forma, não soube bloquear isso e as fraudes continuaram”, disse. O secretário sempre negou as acusações.