“Aluguel camarada” evidencia descontrole do governo em relação a crises

 

Existe um ditado que diz “à mulher de César não basta ser honesta, ela tem que parecer honesta”. Eis uma máxima que deveria ser exposta nas paredes de todas as repartições públicas deste país. E com a democratização dos meios de comunicação, agora mais do que nunca. Se antes ser dono de um sistema de comunicação e ter os outros meios também comandados por amigos bastava, hoje a coisa é muito diferente. Um computador conectado na internet, uma notícia comprovada por documentos oficiais e pronto, o estrago está feito.

A crise do “aluguel camarada” que atingiu em cheio o governo maranhense mostra isso da melhor forma possível. Em denúncia publicada pelo competente jornalista Daniel matos, foi exposto um fato que desencadeou uma verdadeira avalanche de dúvidas contra o governo. Terá Flávio Dino, que tanto criticou o estado de privilégios que saqueou nosso estado nas épocas dos sarneys, se tornado um imitador do que jurara combater?

Um prédio alugado desde o ano passado pelo governo do estado, e em desuso, que pertence a um membro do PCdoB indica que a possibilidade é convincente. O prédio foi alugado para abrigar uma unidade da Fundação da Criança e do Adolescente do Maranhão (FUNAC).

E o que fez o governo ao ser confrontado com documentos que mostram que o aluguel foi pago? E o que fez o governo ao ser confrontado com fotos que deixavam evidente o fato de que o prédio alugado não tinha nenhuma condição de abrigar uma unidade da FUNAC? E o que fez o governo diante da possibilidade de que outros casos pudessem ser explorados?

Negou, negou e negou.

Então ficou evidente que o aluguel pago foi lesivo aos cofres públicos. As obras emergenciais do governo no lugar deixaram claro a escolha foi errada e que o lugar não tinha as condições esperadas. E, para piorar, uma série de casos semelhantes evidenciaram que o aluguel do prédio na Aurora na verdade era apenas uma parte do programa “Aluguel Camarada”, que consiste em alugar prédios completamente impróprios.

A falta de capacidade do governo em lidar com essa crise foi risível. Qualquer que acompanha o noticiário poderia imaginar como as coisas iriam se desenvolver. Dessa forma, gerenciar essa crise não seria algo assim tão difícil.

O governo deveria:

1º: Assumido a culpa e desfazer o contrato ao invés de mandar reformar o lugar às pressas.

2º: Dar um jeito de ressarcir os cofres públicos e tornar esta medida pública.

3º: Abrir uma sindicância sobre o problema e descobrir os possíveis vícios antes da imprensa.

Se tivesse seguido estes passos, é muito provável que a desconfiança sobre o governo não tivesse atingido os níveis de hoje. Afinal de contas, se o próprio governo expõe os casos e os remedia, fica difícil acreditar que a coisa acontecia com anuência do próprio governo.

Só que a defesa bestial do caso, a tentativa de lamber o leite derramado e cuspi-lo na cara dos acusadores foi maior. Deu no que deu…

Pelas promessas que fez, pela representatividade que sua eleição teve, não pode este governo apenas “ser honesto”, ele deve parecê-lo. E agir em modo automático, sempre tentando desmerecer denúncias, não é a melhor forma de agir.

Todo governo tem vícios. O que diferencia bons governos de maus governos, pelo menos nesta situação em especial, é o que vem depois da exposição deles.

Ou Flávio Dino aprende isso, ou vai ser apenas alguém que venceu os sarneys para reproduzir o que prometia acabar.