Atacar Bolsonaro pode ser suicídio para Alckmin

Não há nenhuma dúvida de que Geraldo Alckmin patina na pré-campanha. O que há de se estranhar é a forma como a coordenação do tucano tem reagido à estagnação. Os fatos apontam um caminho, a coordenação insiste em seguir outro. O maior fracasso eleitoral do ex-governador de São Paulo se vislumbra no horizonte da segunda opção. Vamos aos fatos…

“A gente não quer só comida…”

Antes de mais nada é preciso saber em que ambiente é travada a disputa eleitoral de 2018.

Um país em que a população não aguenta mais o caos social instaurado. Caos social? Sim, caos social. São cerca de 60 mil pessoas assassinadas todos os anos, números de guerra. As pessoas não são mais alheias à sangria causada por uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo. O brasileiro sabe que é tungado pela União, estados e municípios. Os escândalos bilionários que atingiram quase toda a cúpula da classe política são de conhecimento público. E a virulência e cinismo de movimentos “sociais” como MST e CUT não é mais admitida.

Em outros momentos de nossa história a recuperação econômica foi o suficiente para que o brasileiro deixasse esses, e outros problemas, de lado. A popularidade subterrânea de Michel Temer, mesmo com os avanços econômicos inegáveis de seu governo, mostra que estabilidade econômica não basta, não mais.

“Polícia para quem precisa”

O PSDB e Geraldo Alckmin parece que não perceberam isso. Até poucas semanas atrás o tucano repetia a velha cantilena de emprego e renda. Resultado? Estagnação.

Nesse aspecto, o único presidenciável que parece ter percebido a necessidade de um discurso mais incisivo, foi Jair Bolsonaro. Atacando de forma virulenta todos os males relatados acima, o deputado caiu no gosto da população. Em uma tentativa de desmerece-lo, seus adversários acusam sua cólera discursiva é tratada como discurso de ódio por seus opositores. Eis um ato de profunda e retumbante idiotia.

O eleitor está odioso com a situação atual. A agressividade do discurso de Bolsonaro é pertinente a ele. Bolsonaro encarna a “voz rouca das ruas”, como disse FHC outrora.

Acusam Bolsonaro diretamente de ser raivoso o que, indiretamente, acaba se tornando uma acusação contra o próprio eleitor dele. Pedir “calma” e “razoabilidade” sem apresentar alternativas não menos incisivas é um erro evidente em si mesmo.

Além do mais, ser um desconhecido e não ser de uma grande legenda o tirou do radar de grandes escândalos. E, acreditem, ainda há analista afirmando que o fato de não ser de uma grande legenda é algo desabonador.

Bolsonaro é caracterizado como “bolha” pela maioria de seus adversários. Segue crescendo mesmo sob ataques constantes da mídia e de parte da classe política.

“Uma hora essa bolha explode”, dizem esperançosos. Apostam no subjetivo quando a situação requer a mais ampla e irrestrita objetividade.

Atacam-no pessoalmente em uma estratégia de eficiência duvidosa. Coisas do tipo: “Ah, ele não tem experiência para governar o país”. Será que esse pessoal acredita mesmo que Bolsonaro cresce nas pesquisas por conta de sua imagem de gestor capaz e intelectual?

Bolsonaro é um discurso que abriga uma pauta, uma pauta a qual os eleitores do PSDB sempre foram simpáticos, e os tucanos não perceberam isso. Aquilo que os eleitores do Partido da Social Democracia Brasileira sempre esperavam de seus candidatos agora é dito por Bolsonaro. Apenas uma mente ruidosa acredita que esses 25% de intenções de vota de Jair Bolsonaro advém de eleitores petistas por natureza.

Ou o PSDB resgata esses eleitores por meio do discurso, ou vai ser a última vez que alguém usurpa algo do PSDB. Aliás, se existe algo em que os tucanos são especialistas é em deixarem suas pautas serem sequestradas por outros partidos e candidatos.

Unir-se à esquerda para combater Bolsonaro é adotar posturas muito perigosas. Uma delas é: a população pode entender que o tucano está negando o discurso de Bolsonaro de luta contra corrupção, bandidagem, valorização da família, respeitos pelas forças de segurança. E isso seria uma tragédia.

A Bolsonaro basta um único tweet “É engraçado ver que o Geraldo Alckmin me ataca como nunca atacou o PT”. KABUMMM!

Ou Geraldo Alckmin esquece Bolsonaro e sintoniza seu discurso ao que os eleitores querem ouvir, ao combate ao caos social que vivemos, ou corre o risco de sequer ir para o segundo turno.