O discurso da engenharia-social para construir a censura: o combate à fake news na eleição!

É óbvio que em qualquer processo político – onde se encontra em jogo a disputa do poder – circulam informações falsas e surgem os mais diversos meios para a sua propagação. Os boatos, a central de mentiras a serviço de campanhas etc, sempre existiram e sempre existirão.

Por que é do humano. O mal é humano!

Isto também se faz presente na grande e pequena mídia que, muitas vezes, abandonam o compromisso com a verdade para aderirem a interesses inconfessáveis bancando as isentonas no processo.

As redes sociais apenas surgiram como mais uma ferramenta com dois lados: 1) pode ser utilizada para propagar mentiras e; 2) pode servir (o que é bom) de contra-discurso embasado na busca pela verdade, opondo-se inclusive aos grandes mentirosos, uma vez que consegue dar voz a muita gente boa que não teria acesso aos chamados grandes meios.

Assim surgiram pessoas de valor ímpar como Bernardo Küster, Rodrigo Jungmann, Bene Barbosa, Alexandre Costa, Flávio Gordon, Allan dos Santos, dentre tantos outros…

Combater a mentira é dever de quem busca a verdade. Agora, há um problema que se agiganta quando o poder estatal – formado por homens que não querem perder esse mesmo poder nem os canais de influência – se arvora de fiscalizador para chancelar o que é mentira e o que é verdade.

Ninguém mente melhor que a voz oficial do Estado.

Em geral, ela é propaganda de si mesmo, focando no positivo e descartando o negativo. Com poder demasiado em mãos, ela se torna aquilo que muito bem lembrou o escritor Alexandre Costa (autor de Introdução à Nova Ordem Mundial): o Ministério da Verdade orwelliano.

Quem se lembra do clássico 1984 de George Orwell vai lembrar-se desse ministério criado para controlar a informação com o pretexto de proteger os indivíduos das mentiras; mas na realidade é um uniformizador de discursos conforme os interesses político-ideológicos do grupo dominante. Orwell descreveu bem o perigo do controle de mídia.

No combate à mentira, devemos ter ferramentas que não sejam preventivas nas mãos do Estado, para não promover a censura prévia. Mas sim, dentro do ordenamento jurídico, a possibilidade do processo com direito à ampla defesa e até a exceção da verdade, já que nem toda acusação é real.

Ao se impor, o “ministério da verdade” – tenha ele que nome tenha – se faz inicialmente por um motivo. Hoje, por exemplo, é a eleição. Todavia, após criado o monstro, ela passa a existir permanentemente em função de outras desculpas. Cria-se, passo a passo, um controle de mídia nas mãos do Estado que passa a perseguir o que não é de seu interesse.

Ignorar que a grande mídia esqueceu propositadamente a influência do Foro de São Paulo nas eleições passadas, que só tardiamente debateu (timidamente) sobre o perigo das urnas eletrônicas, que comprou valores de uma engenharia-social apoiada em uma ideologia de esquerda, como nas pautas do desarmamento civil e na ideologia de gênero, é ignorar que o problema não se encontra em vozes que desafinam do coro dos contentes.

É claro que a mentira pode estar em qualquer meio, seja à direita ou à esquerda, pois é da complexidade humana haver canalhas em todo lugar. Mas, colocar o Estado – um ente abstrato que só se agiganta em favor dos interesses ideológicos de plantão – como um fiscalizador para determinar o que é ou não verdade, é colocar o pescoço na guilhotina revolucionária que, de posse desse mesmo Estado, cria uma hegemonia de pensamento.

O que se quer com esse discurso é matar pela raiz a possibilidade de uma corrente de pensamento fora do estamento burocrático que nem se consolidou ou se formou plenamente, mas que já consegue desmantelar o discurso dos grandes meios com provas consistentes.

Antes de autores de livros considerados de direita furarem o bloqueio e trazerem para esse país análises que eram impensadas, ou vistas como “teoria da conspiração” pelo completo desconhecimento dos fatos, tanto os grandes meios quanto a imprensa nanica era dominada pela esquerda e/ou pelos que aderiam ao estamento na defesa de seus interesses.

O leitor, como uma bolinha de ping-pong, era jogado de um lado para outro, onde a diferença entre os discursos era apenas o grau de radicalidade, como na estratégia das tesouras montada pelo Foro de São Paulo, que aglutinou partidos de esquerda e as Farcs sob o mesmo teto.

No Brasil, por exemplo, as eleições passaram a ser disputadas por um único espectro político: o da esquerda. De um lado a esquerda vegetariana em partidos como o PSDB. Do outro, os tons de uma esquerda carnívora com PT, PSOL, PCdoB, PCO etc. Daí, todos estarem no mesmo estamento e dividindo os lucros nefastos deste sistema de poder já denunciado por Raymundo Faoro – em Os Donos do Poder – que sequer era um homem de direita.

Tudo que fugia a essa bolha ideológica era classificado como “extremistas”.

Enquanto, por exemplo, esquerdistas eram pintados na imprensa como “especialistas” de uma intelectualidade falante – como Leonardo Boff, Frei Betto e demais – sem que se revelasse a ideologia que estes professavam claramente, nomes discordantes eram expulsos – como ocorreu com Olavo de Carvalho – ou então, quando tinham voz, já eram classificados como “guru da direita” ou da “extrema-direita”.

Quando enfim, uma direita se mostra de forma clara em seus valores e começa a quebrar com o espantalho que foi construído por décadas para que esta não tivesse voz, aí surge uma solução para um problema recorrente que ganha até um novo nome emprestado do inglês: a fake news.

O estamento não está preocupado em combater fake news. O estamento está preocupado com a perda da hegemonia. É isto que está por trás das declarações recentes dos “preocupados” com as mentiras. É o primeiro passo para um controle de mídia buscando um apelo sentimental e uma desculpa.

Que todo e qualquer mentiroso pague por suas mentiras. Ordenamento jurídico para isso existe no Brasil. Inflar o problema, no entanto, é estratégia para que um órgão oficial assuma para si a responsabilidade do que pode e do que não pode ser publicado sob pena de anular uma eleição. Vale lembrar: eleição esta que sequer o povo tem direito a uma auditoria dos votos, já que não há prova física da escolha popular.

Chega a ser irônico que os agentes políticos que mais mentem e que mais nos devem explicações sobre os processos circunscritos ao poder sejam justamente os que pedem para que neles acreditemos ao invés de acreditar, como diria Groucho Marx, em nossos próprios olhos.

Como coloca Santo Agostinho, diante do declínio do Império Romano, é evidente a falência dos nossos valores sendo estimulada justamente pelos “deuses”, que servem de apoio para a desconstrução moral de uma sociedade. E os que se opõem a isso é que são os mentirosos? Os que estão publicando livros e artigos mostrando claramente o coração do estamento é que devem ser combatidos ao ponto de serem calados? É vergonhoso.

Não digo aqui que o monopólio das mentiras pertença a um grupo específico. É claro que em todo movimento que cresce há conspiradores, infiltrados, canalhas mentirosos, oportunistas e por aí vai. O único remédio é uma população atenta e consciente de suas escolhas. Eis, então, mais uma vez a importância de um resgate da alta cultura para se separar o joio do trigo em todos os ambientes.

Sinceramente, jamais será o Estado a fazer isso, haja vista o que ele fez nos últimos anos que foi roubar a própria nação por meio dos “representantes”, como vimos recentemente no governo mais corrupto de nossa história, ao institucionalizar uma corrupção já existente transformando-a em método de manutenção do poder.

Por fim, querem mentira maior que o processo eleitoral de 2014, quando o grupo vencedor petista vendeu um país que não existia. Não apenas pelos meios de uma campanha eleitoral, mas por um ambiente cultural tomado pela ideologia, como ocorre com sindicatos, ONGs, movimentos sociais etc.

O maior mentiroso de nossa nação chama-se governo. É uma fábula nefasta onde os maiores produtores de fake news são exatamente os três porquinhos: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Agora, querem subverter o dito popular para que em terra de cego aquele que tenha pelo menos um olho seja obrigado, por força de lei, a fechá-lo para todo o sempre…

Fonte: Terça Livre