Carta de Mariano seria base para delação premiada

A carta manuscrita de 11 páginas que vazou à imprensa na semana passada, dias antes da morte do médico Mariano de Castro e Silva, era, na verdade, um rascunho dos pontos que ele iria encaminhar à Justiça Federal na tentativa de um acordo de delação premiada.

Mariano foi preso em novembro do ano passado, acusado de ser o mentor do desvio de R$ 18 milhões da Saúde maranhense no governo Flávio Dino (PCdoB).

De acordo com o que apurou o blog, a revelação dos pontos envolvendo Flávio Dino e seus auxiliares diretos foi feita sob orientação do advogado Jorge Arturo, que chegou a procurar políticos e parlamentares maranhenses com o objetivo de tirá-lo de Pedrinhas, por temer sua morte.

Pelo menos um destes políticos confirmou ao blog a reunião de Arturo com os senadores Roberto Rocha (PSDB) e Edison Lobão (MDB) sobre os riscos que Mariano dizia correr.

Ocorre que, após deixar Pedrinhas, o médico recuou da decisão de fazer a delação premiada; estava, inclusive, estudando para concurso, enquanto morava com a irmã, em Teresina (PI), no apartamento onde foi encontrado morto.

Na casa do médico, a polícia do Piauí encontrou uma nova carta, em que ele confirmava a autoria da primeira, divulgada na semana passada.

A Polícia Federal quer agora analisar o conteúdo da carta-denúncia que seria usada na delação premiada.

O documento pode, agora, ser usado em novas investigações.

Mas esta é uma outra história