Quais as implicações políticas do rompimento de Zé Reinaldo e Flávio Dino?

Em uma decisão que não causou surpresa a quase ninguém, o deputado federal Zé Reinaldo Tavares (sem partido) anunciou que deve deixar o grupo do governador Flávio Dino (PCdoB).

NADA AINDA ESTÁ FECHADO

“Deve deixar, Linhares?”. Sim, deve ou pode, como queiram. O fato é que a atitude do ex-governador, do criador de Flávio Dino, não pode ser encarada como algo definitivo. Em política as coisas são mais simples do que tentam fazer parecer os analistas de resultados. Política não é algo desvinculado da vida real, do cotidiano das pessoas. Assim como milhões de amigos brigam e reatam, o mesmo pode acontecer com Zé Reinaldo e Flávio Dino. Tratar a coisa como algo irreparável é obra de futorologia chinfrim. Basta um estalar de dedos do atual governador, de Flávio Dino, e Zé Reinaldo volta ao grupo. Basta que lhe seja oferecida a segunda vaga na chapa que irá disputar duas vagas nas eleições para o Senado em outubro. Isso não é opinião, é fato.

GOVERNO REAGIU MAL

Dessa forma, sabedor que a coisa pode ser ainda remediada caso fuja do controle, ao governador Flávio Dino restaria apenas o silêncio após a ação intempestiva de Zé Reinaldo. Dele e de seus aliados. Ao governo não cabe a tarefa de machucar ainda mais essa ferida, isso deveria ser tarefa da oposição.

Contudo, o que se vê é o contrário. No ato de ato de filiação do vice-governador Carlos Brandão no PRB, Flávio Dino falou em “desvios de caminho”. Justo quando o discurso requentado de “todos unidos contra Sarney” iria calhar melhor do que nunca, Flávio Dino mudou de rumo.

Nas horas posteriores após o anúncio do deputado federal, o que se vê é uma enxurrada de textos e opiniões inoportunas tentando fritá-lo. Textos e opiniões de pessoas ligadas ao Palácio dos Leões…

OPOSIÇÃO PERDE O BONDE

Até agora apenas o deputado estadual Eduardo Braide (PMN) deu declarações tímidas sobre o rompimento entre Zé Reinaldo Tavares e Flávio Dino. Talvez esse seja o maior ativo de Flávio Dino para as eleições de outubro: seus oponentes são incapazes de criar embaraços ao governo e, ainda por cima, aproveitar os embaraços que o governo cria a si mesmo.

Passados dois dias do rompimento, Roseana Sarney, Eduardo Braide, Roberto Rocha, Ricardo Murad e Maura Jorge não tiveram habilidade de fazer valer uma narrativa que enfraquecesse o governador no caso. A saber: a que Flávio Dino traiu os interesses do Maranhão ao fazer um governo aquém do que prometera e que agora trai até mesmo aquele que o criou.

Além, obviamente, de abrir as portas para Zé Reinaldo.

NO QUE ISSO VAI DAR?

A saída de Zé Reinaldo Tavares, como ato isolado, não representa absolutamente NADA. SE não for capitalizada da forma correta, se não for utilizada para enfraquecer as bases do governo, se não vier acompanhada de algumas outras saídas nas próximas semanas irá entrar para o jogo apenas como uma baixa aceitável.

Tudo irá depender da conotação da narrativa e de um encadeamento de ações que podem ser programas e/ou espontâneas. Sem elas, a saída dele não significará nada.