Flávio Dino deveria inspirar Eduardo Braide

No dia 02 de outubro de 2016, quando foram abertas as urnas do primeiro turno da capital maranhense, o resultado colocou a deputada federal Eliziane Gama em 4º lugar com pouco mais de 30 mil votos. Dois anos antes a mesma cidade concedeu à deputada quase 80 mil votos. Passou dois anos como principal favorita ao cargo de prefeita.

Em 2006 o desconhecido Flávio Dino conseguiu a proeza com mais de 120 mil votos. Destes, pouco mais de 20 mil foram obtidos em São Luís. Dois anos depois o intrépido deputado lançou-se candidato na capital. Enfrentou a popularidade de João Castelo e a máquina da prefeitura a serviço de Clodomir Paz. Conseguiu 160 mil votos no 1º turno, chegou ao 2º e foi derrotado. Teve quase 215 mil votos.

O que diferencia a trajetória de Flávio Dino e Eliziane Gama? Por que o comunista hoje é governador do estado e a deputada federal encontrou dificuldades em eleições que pareciam ganhas? A resposta a estas perguntas pode garantir a Eduardo Braide o fracasso ou a vitória política.

Dois anos depois de perder sua primeira eleição, em um um ato de coragem, Flávio Dino decidiu abrir mão da vaga de deputado federal e concorrer ao governo. Terminou as eleições estaduais em 2º lugar. Obtendo quase 40% dos votos em São Luís. Juntos, ele e Jackson Lago foram votados por cerca de 55% da população da capital.

Em 2014 Eliziane Gama despontava como figura estadual e foi sondada por várias lideranças para tentar uma vaga ao governo. Ao contrário de Flávio Dino, que em 2010 abriu mão, a deputada estadual saiu da Assembleia Legislativa para a Câmara Federal. Apoiou Flávio Dino  que terminou eleito e dois anos depois ajudou Edivaldo Holanda Jr a derrotá-la nas eleições municipais.

A principal diferença entre Eliziane Gama e Flávio Dino foram seus alvos. O comunista conquistou o maior cargo da política local sempre correndo riscos, sempre almejando os maiores lugares. Chegou ao ponto de desprezar uma eleição fácil em 2012. Talvez o maior ato de coragem de Flávio Dino até hoje não tenha sido abrir mão de uma vaga na Câmara Federal em 2010, mas não participar das eleições de 2012.

Hoje Eduardo Braide tem duas alternativas. Mira a Câmara Federal, como o fez Eliziane Gama, ou tenta o governo, como outrora tentou Flávio Dino.

A única certeza que se tem é a seguinte: em 2014 Eliziane Gama não percebeu que a eleição de Flávio Dino iria representar um duro golpe no seu desejo de se tornar prefeita, Braide tem plenas convicções de que a vitória do comunista em 2018 será um grande obstáculo em 2020.

Enfrentar ou adiar, eis a questão…