Vídeo mostra que foliões mortos em posto iniciaram agressões

Ao chegar em casa no dia 3 de fevereiro, o frentista Manoel dos Santos Silva disse à esposa: “fiz besteira”. Pegou algumas coisas e tomou rumo desconhecido. Manoel foi responsável pelos disparos que vitimaram João Batista Moura da Silva e Bruno Gomes de Souza. As últimas palavras antes da fuga atestam o óbvio: Manoel sabe da gravidade dos seus atos. Contudo, há a necessidade de se avaliar melhor o que aconteceu naquela noite na Avenida Rebouças, Zona Oeste de São Paulo.

Todos os anos, em todos os festejos carnavalescos pelo país, milhares de pessoas tombam vítimas da violência dos “valentões” do carnaval. Alguns sofrem apenas escoriações, outros passam algumas noites no hospital, uma parcela viverá para sempre com sequelas e os menos afortunados perdem a vida.

E quase sempre os responsáveis são os mesmos: grupos de homens bêbados e valentes que se aproveitam em muitas vezes da fraqueza das vítimas e da superioridade numérica para aterrorizar suas vítimas.

O frentista Manoel dos Santos, de 47 anos, e uma das vítimas, o “folião” Bruno Gomes, de 31 anos.

Voltando ao fatídico caso da Avenida Rebouças: não se trata de justificar as ações de Manoel dos Santos. Ele mesmo, como ficou claro lá em cima, sabe da besteira que fez. O cerne da questão aqui é: será que apenas o frentista tem culpa nas duas mortes?

Antes da confusão começar, as mulheres do grupo tentavam acalmar os ânimos dos “foliões”.

Segundo relatos, o grupo numeroso de “foliões” chegou ao posto tentando usar o banheiro. Pedido que foi negado. O que qualquer pessoa normal faria? Procuraria outro local ou apelaria de forma civilizada. Os foliões, segundo o mesmo relato, começaram a urinar nas redondezas do lugar.

E se tivessem aceitado a decisão dos funcionários e saído do lugar pacificamente? Ninguém teria morrido.

Os primeiros depoimentos dos “foliões” afirmam que quando começaram a urinar foram atacados com barras de ferro. MENTIRAM!

Enquanto as mulheres tentam acalmar os “foliões” que partem para cima de outro funcionário, Manoel dos Santos observa tudo de uma bomba de combustível.

As imagens das câmeras de segurança são claras. O que se seguiu foi uma discussão que resultou em briga após um dos “foliões” empurrar um dos funcionários do posto. Os ânimos estavam acirrados.

No início do vídeo e antes da confusão é possível verificar que uma mulher segura um dos foliões tentando afastá-lo da confusão antes que ela sequer começasse. Ele se soltou, agrediu os funcionários do posto e segundos depois caiu baleado. Tempos depois morreu.

E se tivesse ouvido a mulher e evitado a briga? Estaria vivo.

Com o início da confusão, Manoel recebe uma voadora no meio do peito e cai.

O vídeo é claro: os “foliões”, ou melhor dizendo, os valentões partem para cima dos funcionários do posto. Algumas mulheres do grupo tentam segurá-los, eles não atendem os pedidos e um empurra um dos funcionários. Nesse momento Manoel dos Santos parte entra em cena. Foi socado, cercado, derrubado e chutado por quatro integrantes do grupo. Levantou-se, sacou a arma e efetuou os disparos.

As cenas dão a entender que estava armado desde o começo. Sacou a arma após cair ao chão e ser agredido. Esse é o momento em que não havia mais retorno para a tragédia.

Após a voadora, Manoel é derrubado no chão e chutado. Uma das vítimas soca outro funcionários várias vezes.

Manoel dos Santos poderia entrar para as estimativas como mais uma pessoa agredida e/ou assassinada por valentões do carnaval, ou poderia reagir e transformar os valentões em vítimas.

Manoel puxou o gatilho, ele que se resolva com a Justiça. Contudo, é bom deixar as coisas claras: ele estava trabalhando quando um grupo de bêbados foi importuná-lo, urinaram em seu local de trabalho e o agrediram. Poderia ter simplesmente apanhado calado? Poderia. Poderia ter apenas dado um tiro para cima? Poderia. Agora quem garante que essas duas alternativas não resultariam em risco para ele?

Que se constate o óbvio: as vítimas poderiam ter evitado tudo isso se não fossem covardes e, ao invés de tentar agredir um homem franzino, fossem para casa quando suas amigas pediram várias e várias vezes.

Vejam o vídeo e tirem suas conclusões: