Brasileiro não reconhece no governo méritos pela recuperação da economia

O Planalto cruzou os resultados da última pesquisa Datafolha com pesquisas internas do próprio governo e concluiu que o brasileiro não atribui a melhora da economia ao presidente Michel Temer (MDB). Com esse diagnóstico, criam-se mais dificuldades para o presidente articular uma candidatura que defenda o seu legado.

O mercado já tinha precificado o governo antes da votação da segunda denúncia, agora é a vez da população. Como já dissemos em nosso site: “No cenário mais otimista possível, se o governo fizer tudo certo e se por um milagre, até o dia 31 de dezembro de 2018, o Brasil conseguir um ‘crescimento chinês’, a renda do trabalhador ainda estará inferior a renda registrada em 2010. E, agora que a taxa de desemprego começa a dar sinais de diminuição, o desemprego ainda estará na casa dos dois dígitos com ou sem filtro do IBGE. E, se a indústria voltar a níveis de atividade pré-crise, nosso parque industrial ainda estará em níveis dos anos JK de participação no PIB. Resumindo: se tudo der certo, o Brasil continuará destruído com alta taxa de desocupação e com o poder de compra corroído.

O melhor que o governo Temer e seus assessores puxa-saco têm a fazer pelo país é deixar de se iludir e medir ações pelo nível de popularidade. O governo não vai se recuperar, quanto mais rápido ele entender isso, melhor para o Brasil.”

“Auxiliares de Temer cruzaram dados do Datafolha com os de pesquisas encomendadas pelo próprio Planalto. Num diagnóstico direto e realista, disseram que, mesmo que a economia dê um salto, a rejeição ao presidente (60%) não deve baixar a ponto de torná-lo um player eleitoralmente influente.

Os números obtidos em levantamentos internos mostram que a população simplesmente não reconhece como um feito do governo a recuperação econômica ou, pior, em temas importantes, sequer enxerga melhora.

Exemplo: mesmo com inflação baixíssima, 79% das pessoas ouvidas pelo instituto contratado pelo Planalto dizem que os preços estão aumentando. Só 3% dos entrevistados reconhecem queda nos custos.”

Quanto mais esse tipo de diagnóstico se tornar comum, tanto melhor para o Brasil se prevenir de populistas econômicos que prometem que o governo gere “emprego”, “renda” e “crescimento“. Tudo o que um governo não faz.