Qual é o impacto do recente noticiário negativo sobre Bolsonaro? Nenhum, aponta Eurasia

Os últimos dias foram movimentados para o presidenciável Jair Bolsonaro e para a sua família. Além de, após muitas idas e vindas, optar pelo PSL como partido para abrigar a sua candidatura (o que levou à saída do Livres do partido), uma matéria da Folha de S. Paulo no último domingo trouxe à tona informações sobre a sua evolução patrimonial durante a sua carreira política e a de seus três filhos.

Mas qual é o impacto dessa notícia para as próximas pesquisas eleitorais, ainda mais considerando que as últimas pesquisas mostram Bolsonaro em segundo lugar? De acordo com a consultoria de risco político Eurasia Group, quase nenhum.

Os analistas políticos destacam que foram lançadas algumas suspeitas, mas não foram encontrados quaisquer ilícitos. Além disso, eles lembram que, no final do ano passado, O Globo apontou que ele empregava parentes em seu gabinete. Reportagens que mostrem algumas questões sobre os candidatos, principalmente aqueles que se destacam nos levantamentos eleitorais são comuns em um ano eleitoral e, conforme aponta a Eurasia, dado o patamar de 17% que Bolsonaro tem nas pesquisas, haverá um aumento do escrutínio sobre o seu passado e ele deve virar alvo de seus adversários. Desta forma, deve-se esperar por mais nos próximos meses.

Contudo, apontam os analistas, isso não deve gerar danos à sua base de apoio. Isso porque ele possui seguidores fiéis nas mídias sociais e pode usar facilmente o argumento de que a mídia pró-establishment tem a intenção de atacá-lo. Aliás, movimento que ele já fez na véspera, ao afirmar, pelo Twitter, que é vítima de campanha “de assassinato de reputação de sua história recente protagonizada pela grande mídia”.

Os analistas também comentam que a sua decisão de não se filiar ao Patriota e ir para outra legenda pequena, o PSL, também terá impacto praticamente nulo na sua performance nas próximas pesquisas.

Vale destacar que, em entrevista ao Guia Onde Investir 2018, Christopher Garman, diretor para Américas da Eurasia Group, apontou que Bolsonaro está colocando o dedo em uma demanda que existe, que é um discurso antiestablishment em um contexto de grande desencanto. “Ele também tem uma característica valiosa que é a autenticidade: você pode concordar ou não com o que ele está falando, mas tem a sensação de que ele fala o que realmente pensa. Esse é um ativo igual ao Trump tinha nos EUA e ele também tem aqui. Não vejo a candidatura dele como fogo de palha”, apontou o analista da Eurasia.