Análise eleitoral: o PMDB, seus satélites e a renovação necessária

Primeira análise de uma série sobre as possíveis chapas dos principais candidatos nas eleições 2018 no Maranhão.

Se a eleição fosse hoje, é bem provável que Roseana Sarney tivesse como seus companheiros de chapa os senadores João Alberto e Edison Lobão, além do deputado federal Sarney Filho.

Em se tratando do que irá enfrentar nas eleições de outubro, essa composição e chapa realiza todos os sonhos do atual governador e, provavelmente, maior adversário de Roseana Sarney.

Um irmão para comprovar a ideia de oligarquia e dois companheiros de décadas para assegurar a ideia de ostracismo.

Sem pessoalidades: o único dos três que talvez tivesse algo a oferecer a Roseana é o senador João Alberto, ocupando a vice. A última passagem do senador pelo governo ainda pulsa no imaginário coletivo no que diz respeito a um dos maiores problemas da atualidade: a segurança pública. Em tempos de facções ditando as regras nas comunidades e aterrorizando o interior do estado, uma possibilidade de volta de João Alberto seria um cabo eleitoral poderoso no imaginário das pessoas.

Edison Lobão prestou grandes serviços ao Maranhão e à política. Mas, é chegada a hora de abrir espaço para o filho e, talvez, para a nora, Paulinha. A já longeva história de Lobão e seu envolvimento na Lava Jato o desabonam de ingressar na chapa.

Já Sarney Filho… Bem, o ministro do Meio Ambiente é um bom deputado, é um bom articulador, é um político de estirpe diferenciada. Só que o sobrenome coloca tudo a perder. Se não quer deixar aberta a porta para o ressurgimento da tal “oligarquia”, o que sobrou do grupo Sarney não pode cometer um movimento tão descabido quanto uma chapa Roseana – Sarney Filho.

E o que resta? O que fazer?

É sabido que Roseana não é afeita a ataques e nem embates. Tão claro como o raiar do sol amanhã é o fato de que a eleição deste ano será tensa. Time que não tiver seu agressor, provavelmente passará 45 dias sendo apenas agredido. Roseana vai precisar de artilharia verbal em sua chapa. Tirando João Alberto, não se pode esperar isso dos demais.

Dados os nomes, apenas o ex-secretário de Saúde Ricardo Murad catalisa as qualidades necessárias para o embate que se avizinha. Além do fato de que pode acusar o desmanche do sistema de saúde criado por ele e da perseguição política. Não entro no mérito das coisas, apenas do que pode acontecer. Pesa contra Ricardo Murad a reputação manchada por operações da PF e do próprio governo atual. Contudo, os últimos acontecimentos envolvendo o setor dão a ele uma chance de reverter a situação.

Lobão Filho é outro nome que pode entrar na chapa e trazer mais bônus do que ônus. Com um desempenho pessoal pífio em 2014, seria uma surpresa ver Lobão Filho assumindo o protagonismo tão cedo. Acontece que ninguém melhor do que ele para saber de que forma Flávio Dino irá se comportar. Adversário do comunista, caberia a ele levantar o estandarte dos decepcionados com o atual governo. Além de dar a carga de jovialidade que a ocasião irá necessitar.

É claro que o grupo poderia optar por um outro nome. Quem sabe tentar demover Maura Jorge da ideia de ser candidata. Dar um viés feminino à chapa seria algo interessante. Principalmente sabendo que a artilharia vermelha será dura.

O fato é que se optar pela composição mais provável até agora, o PMDB já começa alijado de muitas possibilidades e sujeito a muitos ataques.