Quem é Paulo Guedes, o possível ministro da Fazenda se Bolsonaro for presidente

Nesta segunda-feira (27), surpreendendo o mercado, o presidenciável Jair Bolsonaro divulgou o nome do possível nome para o ministério da Fazenda caso seja eleito (vale ressaltar que ainda está havendo negociações sobre o nome).

Trata-se do economista Paulo Guedes, um dos fundadores do Instituto Millenium, um think tank brasileiro referência no pensamento econômico liberal com sede no Rio de Janeiro. O Millenium destaca o seu perfil em seu site: “formado por intelectuais e empresários, o think tank promove valores e princípios que garantem uma sociedade livre, como liberdade individual, direito de propriedade, economia de mercado, democracia representativa, Estado de Direito e limites institucionais à ação do governo”.

Guedes é um dos quadro fundadores do Banco Pactual e também é fundador e sócio majoritário do grupo BR Investimentos, hoje parte da Bozano Investimentos – companhia que investe em ações privadas (private equity).

Ele também foi professor de macroeconomia na PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), na FGV (Fundação Getúlio Vargas) e no IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e também já foi sócio majoritário do Ibmec.

Economista com Ph.D  em economia pela Universidade de Chicago, considerada uma referência do pensamento econômico liberal, Guedes também já foi integrante do conselho de administração de diversas companhias. Dentre elas, PDG Realty (PDGR3), Localiza (RENT3) e Anima Educação (ANIM3).

Paulo Guedes assina colunas na Época e no O Globo, que dão uma boa indicação de como é o seu pensamento econômico e político.

Em artigo publico no início de novembro pelo jornal O Globo, Guedes destacou: “a morte da velha política em 2017, sob a guilhotina da Lava Jato, é o nosso mais importante episódio de aperfeiçoamento institucional desde a redemocratização e a convocação da Assembleia Constituinte. A independência do Ministério Público e do Poder Judiciário foi ferramenta decisiva para garantir a integridade das investigações e o fim da impunidade em um sistema político degenerado pelo dirigismo na economia. Sabemos agora de tudo. E esperamos cada vez mais impacientes pelas condenações, perdas de mandato e impedimentos de candidaturas das criaturas do pântano político”.

Em outro texto, do final de outubro, Guedes apontou que havia um vácuo ao centro da política brasileira, passando a considerar um segundo turno entre Bolsonaro e Lula.

“A primeira pesquisa do Ibope coloca Lula e Bolsonaro no segundo turno. Lula é o sobrevivente populista de uma ‘esquerda’ que dirige a Velha Política desde a redemocratização. Bolsonaro é o fenômeno eleitoral de uma ‘direita’ que defende ‘a lei e a ordem’, valores de uma classe média indignada com a corrupção na política, a estagnação na economia e a falta de segurança nas ruas”, afirmou no texto.

No último mês, Bolsonaro tem mostrado um viés mais liberal, apontando que apoia a privatização de algumas empresas estatais (fazendo ponderações com relação à entrada do capital chinês) e destacando medidas para estimular o empreendedorismo e diminuir impostos. O movimento tem dado certo resultado, conforme apontou a última pesquisa da XP Investimentos com investidores institucionais – mas a desconfiança do mercado com o presidenciável ainda existe.

Em agosto, 88% dos investidores institucionais indicavam que o Ibovespa recuaria do patamar atual e, agora, esse número corresponde a 73% dos respondentes. Cerca de 30% acreditam que o Ibovespa recuaria para baixo de 60 mil pontos – ou uma queda de ao menos 23% no índice. 12% veem a bolsa abaixo dos 55 mil pontos.  Para o câmbio, 77% indicaram que a moeda brasileira se desvalorizaria na comparação ao patamar atual de R$ 3,30, ante 89% na pesquisa de agosto (que viam uma queda da divisa ante o patamar daquele mês). Já 9% indicam que a divisa brasileira se valorizaria.