Ídolos do PT. Chavismo usa tortura e estupro contra manifestantes

A ONG Human Rights Watch publica nesta quarta-feira (27) um relatório documentando 88 casos de violações de direitos humanos que teriam sido cometidas pelo governo da Venezuela contra manifestantes e opositores políticos, entre abril e setembro de 2017.

Para o relatório, foram entrevistadas 120 pessoas, que relatam abusos como espancamentos, tortura com choques elétricos, asfixia e agressão sexual, além de prisões arbitrárias. Uma cópia foi enviada ao Tribunal Penal Internacional e a Luis Almagro, secretário-geral da OEA.

“Queremos que os depoimentos das vítimas estimulem os países da região, entre eles o Brasil, a impor sanções dirigidas a autoridades do governo venezuelano responsáveis pelas torturas e abusos”, disse Taraciuk à Folha.

Essas punições seriam direcionadas a indivíduos específicos, que teriam a entrada barrada nos países e seus bens congelados. Canadá, Estados Unidos e União Européia aplicam esse tipo de sanção contra autoridades do governo Maduro.

O governo brasileiro se opõe à imposição de tais medidas, pois acha que as penalidades prejudicariam a população venezuelana. O Itamaraty tem agido no âmbito do Grupo de Lima, que reúne países da região para discutir a crise venezuelana.

“O Grupo de Lima foi uma mudança importante na região, após anos de silêncio vergonhoso sobre os abusos na Venezuela”, diz Taraciuk. “Mas é preciso dar um passo a mais. As sanções dirigidas enviariam uma mensagem importante de que abusos não serão tolerados e não teriam impacto sobre a população.”

No relatório, sete autoridades são listadas como responsáveis diretas pelos abusos, entre elas o presidente Nicolás Maduro.

Cerca de 5.400 pessoas foram presas desde abril de 2017, quando manifestantes tomaram as ruas depois que o Tribunal Superior de Justiça (TSJ), controlado pelo governo, assumiu as funções da Assembleia Nacional, dominada pela oposição.