Pabllo Vittar novo garoto propaganda da Coca-Cola e o mito do Brasil homofóbico

Por Daniel Lobo

O ano de 2017 vêm sendo prova concreta de que a cultura pop mundial notoriamente perdeu seu gosto pela qualidade artística, desviou-se da prioridade máxima que reside em produzir e enaltecer o que é expressão por meio da arte. E em tempos de sensibilidade seletiva coletiva o que vale e quanto vale um(a) artista já pode ser considerado, mais do que nunca, relativo, apenas quando é conveniente. Tudo depende do que melhor contempla as demandas.

Na música pop brasileira, um dos nomes que emerge e cresce a cada dia e a cada “lacre” é o de Pabblo Vittar, maranhense, cantor(a) e personagem principal de polêmicas, sejam elas por seu visual, sua música, sua mensagem, seu sucesso ou até que seja pela discussão se a ele nos referimos como ela, como ele, como ela que é ele ou como ela e ele que apenas são alguém.

Vittar que têm tido um ano promissor e meteórico, representa uma aparente demanda atual de consumo: “As minorias”.

No entanto, para um representante de uma minoria dita oprimida, Vittar é tudo menos underground ou alternativo. Seus clipes têm enorme visualização, seus shows estão espalhados dentro e fora do Brasil, seu caché duplicou em menos de 6 meses, suas parcerias com artistas já mais famosos são inúmeras, cada aparição rende ainda mais seguidores e por consequência, os olhos de grandes marcas se voltam para o dito fenômeno do momento. Seu nome e sua imagem estão em alta. (Sim, não é a música).

Há poucos dias, Vittar anunciou em sua conta no Twiiter que estrelaria a nova campanha de verão da gigante de bebidas Coca-Cola, ao lado de outros nomes do Mainstream nacional, em estilos variados. Semelhanças entre tais: Todos produtos de qualidade musical duvidosa, famosos, líderes de vendas em seus segmentos e todos (incluindo Vittar) produtos do Mainstream nacional atual.

Pabblo não é o único nome que vêm ganhando espaço na música nacional atual, outros tantos com propostas semelhantes, temas polêmicos semelhantes e/ou iguais, também norteiam o momento musical mas nenhum com tamanho alcance e tamanho espaço nas mídias.

A Coca-Cola que no início desse ano lançou uma campanha com vídeo de 1min que apresentava uma jovem moça e um jovem rapaz em luta física pra entregar a um homem “fortão” e bonito uma garrafa da bebida refrescante, sendo estes superados por uma mulher adulta que astutamente “vencia” a competição pela simpatia do “bonitão”. Por sua vez, representa em seu trabalho de divulgação mais recente, justamente o tópico da “não exclusão” da “diversidade”, da “diferença” e assim por diante no intuito, óbvio, de abraçar uma demanda empurrada aparentemente guela abaixo de todos, em especial daqueles tidos como opositores, opressores, preconceituosos ou intolerantes.

Seria essa intenção um combate louvável ao preconceito que é massivo e avassalador, assassino e nunca dantes visto na face do planeta e como tal “Must Change”?

Ou seria apenas uma inteligente forma de fazer parecer que se vive em um país homofóbico, num mundo preconceituoso que atualmente dizima uma minoria oprimida e que de fato é porque ser “engajado” dá uma bela de uma  melhorada no rótulo do produto, ajuda a vender mais e mais. Afinal, ser legal é valioso, ser tolerante é positivo, ainda que seja apenas pro novo comercial da próxima campanha?

Como uma minoria excluída e oprimida pode produzir em tão pouco tempo produtos que atingem as massas, justamente o que não é minoria, exatamente quem aparentemente oprime e perfeitamente quem dito seria, o inimigo da diversidade?

Não há propaganda “A” para público “X” e propaganda alternativa para público “W” ambos direcionados por fatia de público e consumo. O que existe é apenas propaganda. Feita pra alcançar e vender, faturar e espalhar.

Me parece o perfeito pensamento de uma empresa que vive dos lucros do que comercializa num mundo competitivo e dinâmico.

Pegar carona no mito do “Brasil Homofóbico” é toda motivação que impulsiona o que foi descrito no decorrer deste texto. Não é inclusivo, não é empático, não é desbravador. É nada mais do que comercial!

*Daniel Lobo é músico e colaborador do linhares.info