O “aluguel camarada” de Flávio Dino

Quando foi eleito em 2014, Flávio Dino pregava um rompimento total com a tal “oligarquia” que distribuía privilégios a amigos do estado enquanto o Maranhão amargava os piores indicadores sociais e econômicos do país. Dois anos se passaram e o rompimento total ainda não veio. E para piorar ainda mais, o início de 2017 é marcado por um episódio que desacredita qualquer tipo de esperança.

O jornalista Daniel Matos, de o Estado do Maranhão, publicou em seu blog uma notícia que mostrava os bastidores da instalação de uma unidade da A Fundação da Criança e do Adolescente (FUNAC). Documentos conseguidos por Daniel mostram que Jean Carlos Oliveira é locador do imóvel, ele também é membro do PCdoB, mesmo partido do governador Flávio Dino.

Imediatamente o governo tratou de afirmar que tudo não passou de coincidência e todo o processo ocorreu dentro da legalidade. Realmente, ilegal não é. Entretanto, não só nos limites da letra fria da lei se faz uma “rompimento com o atraso”.

Em 2014 os membros do governo faziam oposição à governadora Roseana Sarney. Naquela época o deputado Bira do Pindaré (PSB), hoje um dos maiores aliados do governo atual, fez severas críticas a um caso semelhante. O governo alugara um prédio que pertencia ao empresário Edinho Lobão.

Bira chegou a dizer: “Nada justifica isso. Trinta mil reais todo mês na conta do Edinho Lobão, R$ 30 mil, limpo, de graça, sem nada, porque lá não tem ninguém sendo atendido. Não tem nenhuma pessoa com câncer sendo atendida por esse instituto, por esse centro oncológico, na Avenida Rei de França. É uma situação realmente absurda”.

Pois bem, a situação do prédio da FUNAC é absolutamente a mesma! O governo pagou aluguel para Jean por vários meses sem que o prédio fosse utilizado. Eu tenho cá com meus botões que desta vez o deputado Bira do Pindaré não irá achar problema da forma que achou no passado.

É evidente que não existe crime no processo de locação da nova sede da FUNAC. Da mesma forma que é evidente que o novo governo mimetiza, repete, as mesmas práticas que um dia, quando oposição, jurou extinguir.

Há um ditado que diz que “À mulher de César não basta ser honesta, ela tem que parecer honesta”. E o fato, meus caros leitores, é que esse “aluguel camarada” pode até ser honesto, mas não parece sê-lo.

E caso apareça mais um caso deses, além de não parecer não será. É bom o governo checar as relações de seus filiados com os cofres públicos…